Publicada em 02/02/2026 às 09h39
Israel reabriu nesta segunda-feira (2) a passagem de Rafah, que fica na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase dois anos após ter tomado o controle e fechado o local em meio à guerra com o grupo terrorista Hamas.
A reabertura permitiu o trânsito de pessoas a pé e ambulâncias, o que permitirá que palestinos deixem o território e também o retorno daqueles que desejam voltar após terem fugido durante a guerra.
Dezenas de ambulâncias foram vistas dos dois lados da fronteira nesta segunda, algumas no lado egípcio da fronteira esperando para buscar palestinos feridos durante o conflito e outras embarcando pacientes de hospitais de Gaza para levá-los à fronteira. Cerca de 20 mil palestinos esperavam a reabertura de Rafah para ir buscar tratamento médico fora de Gaza, segundo ONGs que monitoram a situação.
A reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, no entanto, será limitada, com Israel exigindo verificações de segurança para os palestinos que entrarem e saírem. Esperava-se que Israel e o Egito impusessem limites ao número de viajantes. Segundo a mídia estatal ligada ao governo egípcio, apenas 50 pessoas seriam autorizadas a atravessar a passagem em cada sentido nos primeiros dias. Uma fonte palestina confirmou o mesmo número à agência de notícias Reuters.
A reabertura da passagem de Rafah ocorreu no âmbito do cessar-fogo na guerra entre Israel e Hamas mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025. A reabertura do local era um requisito importante da primeira fase do plano de paz delineado por Trump.
O Exército de Israel tomou controle da passagem no início de maio de 2024, cerca de nove meses após o início da guerra em Gaza, o que fechou uma saída importante da população do território palestino que fugia da guerra (leia mais abaixo).
Um oficial de segurança israelense disse que equipes europeias de monitoramento chegaram à passagem, que “agora está aberta à circulação de moradores, tanto para entrada quanto para saída”.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, elogiou a reabertura da passagem de Rafah, que chamou de "um passo concreto e positivo no plano de paz". Ela destacou que o local tem papel vital para ajudar palestinos doentes e feridos e disse que uma missão da UE está no local para monitorar as operações e ajudar no processo.
Passagem de Rafah
Portão da passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, ao sul do território palestino. — Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/File Photo
Nos primeiros nove meses da ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, os palestinos geralmente conseguiam fugir para o Egito pela passagem de Rafah.
Autoridades palestinas dizem que cerca de 100 mil palestinos fugiram de Gaza desde o início da guerra, a maioria deles durante os primeiros nove meses. Alguns foram patrocinados por grupos de ajuda humanitária. Outros pagaram propinas a intermediários no Egito para garantir permissão para sair.
Israel fechou a passagem de Rafah depois que suas forças avançaram sobre a área e também fechou o corredor Filadélfia, que percorre toda a fronteira de Gaza com o Egito.
O fechamento da passagem de Rafah interrompeu uma rota importante para que palestinos feridos e doentes buscassem atendimento médico fora de Gaza. Alguns milhares foram autorizados a sair para tratamento médico em terceiros países via Israel ao longo do último ano, embora milhares ainda precisem de cuidados no exterior, segundo as Nações Unidas.
Apesar da reabertura de Rafah, Israel continua se recusando a permitir a entrada de jornalistas estrangeiros, que estão proibidos de entrar em Gaza desde o início da guerra, que causou uma destruição generalizada e devastou grandes áreas do território.



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