PORTO VELHO, RO - O empresário Fernando Vilas da Blueray, candidato a deputado federal pelo PSD, fez críticas à bancada federal de Rondônia, afirmou que o estado enfrenta dificuldades para sustentar a saúde pública e disse acreditar que as mudanças tributárias podem reduzir ainda mais a competitividade das empresas rondonienses. As declarações foram feitas durante entrevista ao jornalista Vinícius Canova no RD Entrevista, realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.
Ao avaliar o trabalho coletivo dos parlamentares federais, Fernando concentrou a crítica na reforma tributária e na ausência, segundo ele, de medidas específicas capazes de compensar as dificuldades enfrentadas pelas empresas instaladas longe dos grandes centros consumidores.
“Como que a gente elogia uma bancada federal quando uma reforma tributária está acontecendo, a partir do ano que vem, em 2027, ela já vem com mais força, e nós não vemos nenhuma lei de incentivo tributário para as empresas que estão no estado de Rondônia?”, questionou.
O candidato argumentou que parte expressiva do território rondoniense é formada por florestas, reservas e áreas indígenas e defendeu que essa característica seja utilizada politicamente para negociar vantagens tributárias destinadas ao setor produtivo.
Na avaliação apresentada durante o programa, empresas locais poderão competir em condições tributárias semelhantes às de companhias instaladas em estados mais próximos dos maiores mercados consumidores, apesar das diferenças de logística e distância.
“Nós temos 45% de florestas, de reservas e área indígena no estado de Rondônia. É a nossa moeda de troca. Eles não estão utilizando isso para trazer incentivos tributários para as empresas daqui. Nosso imposto vai ficar igual ao de São Paulo. Onde é melhor a gente produzir? São Paulo”, afirmou.
Fernando disse que sua própria indústria já considera uma operação no Paraguai e relacionou essa possibilidade ao cenário tributário brasileiro. Segundo ele, a preocupação não estaria limitada à empresa que dirige, mas alcançaria empresários de outros estados da região Norte.
O debate sobre arrecadação e competitividade levou a entrevista para a saúde pública. Nesse trecho, o candidato fez uma das declarações mais fortes do programa ao afirmar que Rondônia não conseguiria continuar bancando o setor nos moldes atuais.
“Rondônia já não sustenta bancar a saúde. Pode anotar: o estado de Rondônia vai fechar com mais de um bilhão de déficit na saúde pública”, declarou.
Na sequência, Fernando mencionou a discussão sobre a Caerd e disse enxergar dificuldades para que o próprio estado arque simultaneamente com saúde pública e incentivos capazes de manter indústrias em território rondoniense. Para ele, seria necessária maior atuação política em Brasília.
“Rondônia não aguenta mais bancar saúde. Imagina bancar incentivos para indústrias permanecerem no estado. Sozinho não vai conseguir. Rondônia precisa de ajuda, só que, para isso, nós precisamos de gente que realmente faça acontecer”, disse.
A política também entrou no centro da entrevista quando Vinícius Canova questionou Fernando sobre a distribuição de recursos eleitorais dentro do PSD. O apresentador citou a reclamação do ex-secretário Júnior Lopes, que teria recebido R$ 100 mil, enquanto Juliane Fúria recebeu R$ 1,5 milhão.
Fernando afirmou que também realiza a campanha com poucos recursos e rejeitou a ideia de transformar a falta de dinheiro em reclamação pública. Ao comentar candidaturas femininas contempladas com recursos partidários, defendeu que o dinheiro permanecesse com elas.
“Eu tenho saudade da política da década de 80, que a gente não via mimimi em rede social. O candidato ia lá, se não tinha dinheiro, gastava sola de sapato. Eu estou fazendo campanha sem dinheiro, gastando sola de sapato. Não fui em rede social reclamar”, afirmou.
Na mesma resposta, citou Juliane, Jaqueline e Rosária Helena e acrescentou: “Deixa o dinheiro para elas. Bora gastar sola de sapato. É assim que faz”.
A manifestação deu sequência a uma crítica recorrente de Fernando durante o programa. Em diferentes momentos, ele contrapôs aquilo que chamou de “mimimi” e de política feita para redes sociais à atuação voltada para execução de projetos.
Ao falar sobre sua passagem pela Associação Comercial e Industrial de Ariquemes, Fernando citou a articulação para o aeroporto do município. Disse ter viajado repetidamente a Brasília e afirmou ter desembolsado recursos próprios durante esse processo.
“Eu, como um pequeno empresário, presidente de uma associação comercial do interior, trouxe um aeroporto para a cidade de Ariquemes, sem mandato, sem cota parlamentar. Gastei R$ 70 mil do meu bolso só com passagem aérea, hotel e alimentação de todas as vezes que eu fui para Brasília buscar esse aeroporto”, relatou.
O candidato também recorreu a um episódio ocorrido durante a pandemia para exemplificar a forma como entende a atuação diante de problemas. Segundo ele, diante de dificuldades relacionadas ao fornecimento de oxigênio em Ariquemes, empresários e outras pessoas se mobilizaram para adquirir cilindros.
Fernando relatou uma arrecadação de aproximadamente R$ 300 mil e a compra de 150 cilindros no Paraná. O candidato utilizou o episódio para reforçar o discurso de que problemas deveriam ser enfrentados com ação direta.
“É assim que se faz. Tem que parar de mimimi. A gente tem que resolver as coisas, tem que botar para resolver. Esse negócio de ficar em rede social choramingando acabou”, afirmou.
Outro eixo de críticas envolveu o Hospital do Amor. Fernando disse participar há anos da mobilização de pecuaristas, empresários e moradores para arrecadar recursos à instituição. Segundo ele, rifas, camisetas, leilões, doações de animais e outras iniciativas ajudam a manter o hospital.
O candidato afirmou que o envolvimento político em torno da instituição estaria produzindo dificuldades para as pessoas que atuam diretamente na arrecadação.
“Ao começar a misturar o Hospital do Amor com política, nós que estamos lá na ponta, todo leilão pedindo doação de gado, pedindo doação de dinheiro, pedindo doação de prenda, estamos sentindo dificuldade”, declarou.
Fernando afirmou que sua família participa das doações e citou a entrega de um touro avaliado, segundo ele, em aproximadamente R$ 25 mil. Na entrevista, também contestou a personalização política de ações ligadas ao hospital e defendeu reconhecimento para pessoas comuns que contribuem diretamente.
Como exemplo, mencionou uma mulher que, segundo ele, vive em área rural e utiliza ônibus duas ou três vezes por semana para trabalhar voluntariamente servindo café no hospital.
A atuação social em Ariquemes apareceu também quando Fernando tratou da Associação das Mães de Autistas de Ariquemes. Ele disse acompanhar o projeto desde o início e afirmou que a instituição atende atualmente mais de 700 famílias.
Segundo o empresário, a estrutura enfrenta dificuldades para pagar profissionais e demanda aproximadamente R$ 200 mil por mês. Fernando disse que chegou a divulgar um vídeo alertando sobre o risco de fechamento da entidade e cobrou maior participação do poder público.
Nesse ponto, voltou a criticar políticos que, em sua avaliação, aparecem pontualmente para produzir imagens ou anunciar recursos sem assegurar uma solução continuada para as entidades.
“A política não consegue ser a base daquilo que realmente tinha que ser para fazer com que as pessoas tenham resultado. Nós, sociedade, estamos fazendo aquilo que a política deveria fazer”, afirmou.
A entrevista também tratou da trajetória partidária do candidato. Fernando confirmou que integrava o PL e relatou que deixou a legenda durante a janela partidária. Segundo ele, havia dificuldade de acesso e de diálogo dentro do partido.
O empresário disse ter conhecido melhor o trabalho de Adailton Fúria durante a pré-campanha e afirmou que sua percepção sobre o candidato ao Governo foi mudando. Posteriormente, recebeu convite para ingressar no PSD.
Fernando afirmou estar satisfeito no novo partido, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas durante a campanha. Segundo ele, candidatos com menos recursos precisam compensar a diferença com currículo, reputação e contato direto com os eleitores.
Na entrevista, contou que passou a entregar uma espécie de currículo ao se apresentar aos eleitores.
“Quando eu vou me apresentar para as pessoas, eu falo: ‘Olha, eu sou Fernando Vilas da Blueray, candidato a deputado federal, e aqui está meu currículo. Estou pedindo emprego para você’. Porque, quando eu vou contratar alguém, eu pego um currículo. Eu quero saber o que ele fez na vida”, declarou.
A relação com Luciano Hang e a instalação da Havan em Ariquemes foi outro tema abordado. Fernando contou que conseguiu o contato do empresário em 2021, quando ocupava a presidência da associação comercial, e o convidou para conhecer o município.
Segundo ele, uma das dificuldades mencionadas inicialmente envolvia o aeroporto. Fernando disse ter convencido Hang de que a estrutura permitia o pouso da aeronave e posteriormente acompanhou o empresário durante visitas à cidade.
O candidato relatou que, mais tarde, foi procurado novamente quando a empresa decidiu instalar uma unidade em Ariquemes. Ele afirmou ter participado da visita em que o terreno utilizado pelo empreendimento foi apresentado.
O desenvolvimento urbano também apareceu na entrevista. Fernando falou sobre sua passagem pelo Conselho da Cidade em 2023 e afirmou ter participado da liberação de cinco loteamentos que estavam parados no município.
Segundo ele, a ampliação do número de empreendimentos poderia gerar concorrência e facilitar o acesso de famílias de menor renda a terrenos.
“Se tem concorrência, tem preço baixo. Se tem preço baixo, a pessoa mais humilde vai conseguir comprar um terreno. Então a gente tem que dar oportunidades”, afirmou.
Fernando relacionou essa visão à história da própria família. Disse que o pai chegou a Rondônia na década de 1970 como motorista de caminhão e recebeu oportunidade de ocupar uma propriedade rural. Para o candidato, políticas públicas deveriam criar condições para que pessoas aumentem a renda e construam patrimônio.
“Não estou falando de um assistencialismo sem freio. Estou falando de criar oportunidades para a pessoa crescer, para ela ganhar dinheiro, para ela ser rica”, declarou.
Na reta final, Fernando defendeu que propostas destinadas aos municípios não sejam elaboradas de forma padronizada por candidatos que desconhecem as realidades locais. Segundo ele, moradores, lideranças e administrações municipais devem indicar suas prioridades, enquanto deputados e senadores precisam utilizar a estrutura política em Brasília para buscar soluções.
O candidato citou problemas de saneamento em Porto Velho para exemplificar essa percepção e disse que o papel de um parlamentar seria levar as demandas recebidas aos ministérios e demais órgãos federais.
Ao apresentar as razões para disputar a Câmara dos Deputados, Fernando voltou à ideia que atravessou toda a entrevista: a de que parte dos problemas públicos estaria sendo resolvida diretamente pela sociedade.
“Eu levantei do sofá da minha casa, cansei de mimimi, cansei de promessa, porque somos nós, o povo de Rondônia, pessoas comuns, que estamos resolvendo os problemas. É nós que solucionamos o problema de saúde, quando alguém precisa fazer uma cirurgia, é nós que fazemos uma rifa para ajudar”, afirmou.
Ele citou novamente o Hospital do Amor, a associação de mães de autistas e o aeroporto de Ariquemes e disse acreditar que um mandato federal permitiria ampliar esse tipo de atuação.
O RD Entrevista é apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.


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