Os brasileiros terão, daqui a cerca de três semanas, a enorme responsabilidade de escolher seus governantes, seja para os cargos executivos (presidente da República e governadores), seja para os cargos legislativos: dois dos três senadores de cada Estado e do Distrito Federal; deputados federais — no caso de Rondônia, 8 das 513 cadeiras — e deputados estaduais para a Assembleia Legislativa, composta por 24 parlamentares. Não teremos eleições municipais, que foram realizadas em 2024, quando foram reeleitos e eleitos prefeitos e vereadores, que estão nos cargos desde janeiro de 2025 e, a exemplo das gerais, têm mandato de 4 anos.
No Brasil, o voto é obrigatório, não facultativo como em vários países. É um dever cívico de todo cidadão com idade superior a 16 anos escolher seus governantes para um período de 4 anos, com direito a uma reeleição no caso dos cargos legislativos.
Situação que deverá mudar a partir das eleições deste ano, pois foram aprovadas várias alterações, mas, como não foram votadas 12 meses antes das eleições deste ano, certamente teremos novas regras para as próximas, inclusive mandatos de cinco anos para os cargos executivos, sem direito à reeleição.
Mas é uma situação a ser discutida no futuro, provavelmente no próximo ano.
Este ano teremos, em outubro, as eleições gerais, com o primeiro turno no dia 4. Onde for necessário o segundo, será no dia 25 do mesmo mês, situação que deverá ocorrer em nível de Brasil, principalmente na eleição para a Presidência da República. Com certeza, em Rondônia, na escolha do próximo governador.
A conta é simples e direta. Para o candidato se eleger governador no primeiro turno, tem que somar 50% mais um dos votos válidos, missão considerada impossível com o quadro de pretendentes, em que, dos seis, três estariam com plenas condições de disputar o segundo turno e, dependendo das campanhas de cada candidato nas três semanas que faltam para as eleições, quatro estariam em melhores condições de chegar ao segundo turno. Isso dependerá, inclusive, do desempenho nos debates, que, na maioria das vezes, são decisivos.
As chances de eleger o futuro governador de Rondônia no primeiro turno são como acrescentar zeros à esquerda.
O futuro do Estado está nas mãos dos eleitores. Rondônia é um Estado com pouco mais de 40 anos de emancipação e mantém um excelente índice de crescimento econômico-social-agrícola, mas deixa a desejar na política. Um pouco pela representatividade no Congresso Nacional, onde temos três senadores, a exemplo dos demais Estados, mas uma disparidade enorme na Câmara Federal, com a representatividade mínima, que é de oito deputados. O Paraná, por exemplo, tem 30.
Além de presidente da República, o eleitor terá que exercer o direito do voto em mais cinco candidatos: governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado estadual. Por ordem de votação, o primeiro voto será para deputado federal, depois para deputado estadual, 1º senador, 2º senador, governador e presidente da República. A cada nome, terá que acionar a tecla “confirma”.
Com certeza, boa parte do eleitorado terá dificuldades para votar corretamente, e muitos não deverão comparecer às urnas, com previsão elevada de abstenção, além de votos nulos e brancos. Em 2022, a abstenção foi acima de 20%. Nas municipais de 2024, 30,63% deixaram de votar no segundo turno na escolha do prefeito, que teve Leo Moraes (Podemos) como vencedor.
Não basta ao candidato pedir o voto, é necessário orientar o eleitor.
Além dos problemas citados, temos o financeiro. É triste que um País com um contingente enorme de famílias em situação precária, financeira e economicamente, disponibilize R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral a serem distribuídos aos partidos. Além de votar compulsoriamente, o eleitor tem que bancar a campanha dos candidatos.
E pasmem. O Fundo Eleitoral foi criado em 2017 como alternativa para pôr fim ao financiamento de campanhas por empresas privadas, porque era uma ação ilegal. Com o Fundo, legalizaram a ilegalidade, mas quem banca tudo é o povo. Compulsoriamente.
Apesar dos problemas citados, que são alguns, o cidadão precisa ter consciência na hora de votar. Seja seletivo, analise, faça comparativos, conscientize-se de que o candidato deve estar empenhado em resolver os problemas coletivos, não os de grupos econômicos.
Saber um pouco da vida do candidato também é bom. Boa parte dos políticos quer os cargos para status, benefício próprio ou de grupos econômicos, que querem manter os brasileiros “nas rédeas”, embaixo do braço, como subservientes.
É importante saber o que o candidato fez de positivo e negativo e comparar. Ninguém consegue ser 100%, mas tem, no mínimo, a obrigação de ser honesto e cumpridor das funções do político, que deve priorizar a maioria da população, não a minoria ou grupos isolados.
Na hora de votar, não troque o seu voto por dinheiro ou por um pacote de arroz, porque não poderá cobrar o político, pois “vendeu” o voto. Seja consciente, vote com o cérebro, não com o estômago, pois o voto é a única “arma” legal que o eleitor tem contra o político corrupto. Sem ele, o político desonesto não tem condições de se eleger.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!