O conselheiro do Tribunal de Contas de Rondônia Edilson Silva criticou a influência de “puxa-sacos” sobre governadores e prefeitos, afirmou que não é possível garantir que a corrupção tenha diminuído no estado e relatou a angústia do governador Marcos Rocha diante das dificuldades para construir o Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia, o Heuro. As declarações foram dadas ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira.
Ao tratar do Heuro, Edilson afirmou que não presenciou nenhuma ação de Marcos Rocha contrária ao projeto. Segundo ele, o governador demonstrava desejo de executar a obra, chegou a ficar abalado com os entraves e pediu ajuda para conseguir entregar o hospital. “Me ajude a entregar isso, me ajude”, teria dito Rocha ao conselheiro. Edilson atribuiu os problemas a integrantes da equipe que, conforme declarou, “ou não querem, ou não conseguem entregar”.
“Me ajude a entregar isso, me ajude.”
“O problema é que tem alguns aí que ou não querem, ou não conseguem entregar.”
O conselheiro também revelou que técnicos do TCE identificaram riscos relacionados à empresa escolhida para executar o projeto e alertaram o Governo do Estado. Questionado por Robson Oliveira, ele confirmou que o então secretário estadual de Saúde — atualmente deputado federal —, a Procuradoria e a Controladoria receberam as informações. Edilson sustentou que o Tribunal não impediu a construção, mas não poderia se omitir diante dos problemas encontrados.
“O Tribunal, em momento algum, atrapalhou, mas o Tribunal, em momento algum, será omisso.”
Durante a entrevista, Edilson criticou assessores que evitam assumir erros e responsabilizam instituições como o Tribunal de Contas, o Ministério Público e o Judiciário pelo fracasso de projetos públicos. “É mais fácil acreditar em quem está do lado, que é um puxa-saco e que não fala a verdade”, afirmou. Em outro momento, declarou que nomear um aliado sem competência para comandar áreas estratégicas pode ser “pior que corrupção”, devido aos prejuízos prolongados causados pela incapacidade administrativa.
“É mais fácil acreditar em quem está do lado, que é um puxa-saco e que não fala a verdade.”
Edilson ainda evitou afirmar que a redução das grandes operações contra gestores representa uma queda efetiva da corrupção em Rondônia. Embora tenha destacado o papel preventivo do TCE, a atuação de outros órgãos de controle e uma maior conscientização dos administradores públicos, fez a ressalva: “Não garanta você que a corrupção diminuiu aqui em Rondônia”. Ao final, defendeu que a sociedade escolha melhor seus representantes e acompanhe o cumprimento das promessas eleitorais.
“Não garanta você que a corrupção diminuiu aqui em Rondônia.”
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