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JUSTIÇA

Polícia diz que, entre bolsonaristas alvos de operação por vandalismo, estão suspeitos de armar explosivo em Brasília

Operação Nero cumpre 32 mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pelo STF

Por G1
Publicada em 29/12/2022 às 10h51

O delegado Leonardo de Castro Cardoso, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), afirmou que, entre os bolsonaristas alvos da operação Nero, estão suspeitos de participação no armamento de um artefato explosivo perto do aeroporto da capital, em 24 de dezembro.

A Polícia Federal e a PCDF deflagraram a operação, que cumpre 11 mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As prisões tiveram início na noite de quarta-feira (28) e continuaram nesta quinta (29).

Até as 10h desta quinta, quatro suspeitos tinham sido detidos: Joel Pires Santana, Klio Damião Hirano, Átilla Reginaldo Franco de Melo e uma quarta pessoa não identificada. Outros sete eram considerados foragidos.

A operação apura os atos de vandalismo e a tentativa de invasão à sede da PF na capital, em 12 de dezembro. No entanto, segundo a apuração, há investigados que também atuaram na montagem da bomba na véspera de Natal. Um dos envolvidos, George Washington de Oliveira Sousa, de 54 anos, confessou o crime e foi autuado por terrorismo.

A Polícia Civil disse que não informaria quantas pessoas estão envolvidas nos dois casos porque as investigações sobre o explosivo armado no aeroporto correm sob sigilo.

"O número não podemos passar, até porque nós não vamos passar mais informações sobre a apuração no caso da bomba no aeroporto. As investigações estão com a Polícia Civil em sigilo decretado judicialmente", disse o delegado.

Investigação sobre vandalismo

Segundo os investigadores, ao todo, 40 pessoas já foram identificadas por envolvimento nos atos de vandalismo de 12 de dezembro. No entanto, foram expedidos mandados de prisão contra apenas 11 porque, de acordo com a investigação, só foi possível individualizar as condutas deles.

A polícia afirma que há cerca de 150 horas de filmagens de câmeras de segurança dos ocorridos, e que existem "provas robustas" da participação dos envolvidos.

Entre os 40 identificados, nenhum era originalmente do DF e, por isso, segundo os investigadores, é mais difícil localizá-los. Pastores, blogueiros e empresários estão na lista de investigados. A polícia afirma que quase todos os indivíduos frequentavam o acampamento golpista no Quartel-General (QG) do Exército, contra o resultado das eleições.

"Vários dos indivíduos [investigados], quase a totalidade, passou pelo QG. Inclusive, postam foto em rede social no QG., afirmou o delegado da Polícia Federal Cléo Mazotti.

Ainda de acordo com o delegado da PF, "os alvos que estão sendo objeto de prisão hoje, eles obtiveram meios para os atos. Conseguiram vaselina para incendiar. Fizeram atos de depredação ao patrimônio público e ao patrimônio privado. Incitaram atuação, incitaram e atacaram policiais que estavam atuando".

Ainda de acordo com a PF e a PCDF, não houve planejamento prévio para a depredação na capital.

"A investigação se iniciou e foi feito uma linha cronológica de investigação onde se voltou para se chegar a atos preparatórios, se certificar a motivação dos atos criminosos para apurar eventual conluio, conexão de desígnios para os atos. Mas, a princípio, não houve uma premeditação", disse o delegado Leonardo de Castro.

Mas uma segunda etapa da apuração pode apontar se existiu financiamento para o grupo. "É uma resposta do estado a essas pessoas que porventura estão fugindo dos seus limites de manifestação ideológica", disse o delegado-geral da PCDF, Robson Candido.

Operação Nero

A operação ganhou o nome de Nero, em referência ao imperador romano do primeiro século que ateou fogo em Roma.

Segundo a PF, as investigações tiveram início depois da tentativa de invasão à sede da PF. À ocasião, bolsonaristas tentaram resgatar um homem preso pela instituição, no dia 12 de dezembro. Sem sucesso, iniciaram ataques de vandalismo na capital.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 8 veículos, entre carros e ônibus, foram incendiados pelo grupo. Eles também quebraram vidros de automóveis, depredaram equipamentos públicos e a 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.

A PF afirma que a investigação teve início na corporação, em conjunto com a Polícia Civil, que apurou os ataques de vandalismo na capital. Por declínio de competência, os inquéritos foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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