Prof. Herbert Lins – MTE 1143
Ganha eleição quem erra menos
CARO LEITOR, na política, existe uma máxima que o tempo não envelhece: ganha eleição quem erra menos. Campanha não é concurso de perfeição, mas um jogo de estratégia, paciência e leitura de cenário. Quem entra em bola dividida, compra briga desnecessária e fala mais do que deve pode transformar vantagem em derrota. O #TBT de hoje serve para lembrar que eleição se ganha também jogando parado. Há momentos para avançar, outros para recuar e muitos em que o melhor movimento é não fazer movimento algum. O candidato precisa saber escolher suas batalhas, preservar alianças e não oferecer munição gratuita aos adversários. No fim, o eleitor pode até esquecer o discurso brilhante, mas dificilmente esquece o erro grosseiro e termina elegendo aquele candidato que controla a ansiedade, evita tropeços, mantém coerência e erra menos no processo eleitoral.
Aula
O reconhecimento do presidente Lula (PT-SP) de que sua campanha foi desorganizada no primeiro turno é uma aula prática de política: eleição não se perde apenas pela força do adversário, mas também pelos próprios erros.
Correção
O segundo turno exige correção de rota. Lula (PT-SP) agora promete mais presença nas redes, linguagem direta e uma força-tarefa digital para disputar o eleitor indeciso. A lição é simples: quando a estratégia não funciona, insistir no erro é transformar tropeço em queda.
Força
A direita chega mais organizada na eleição presidencial em curso. O melhor exemplo é Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que avançou ao segundo turno em primeiro lugar. O resultado revela uma base mobilizada, disciplinada e capaz de transformar força política em voto.
Ampliou
No Congresso, a fotografia é ainda mais clara: a direita ampliou sua força, conquistou a maioria no Senado e cresceu na Câmara dos Deputados. Mais que ideologia, o resultado revela organização, estratégia e capacidade de coordenação eleitoral.
Máxima
No #TBT de hoje, fica a velha máxima da política: ganha eleição quem erra menos. Não basta ter governo, estrutura ou história; é preciso saber comunicar, escolher prioridades e entender o eleitor. Na urna, o adversário mais perigoso pode ser o próprio erro.
Erros
Como estamos falando de erros de campanha, vale lembrar, no #TBT de hoje, o desempenho de alguns marqueteiros famosos que desembarcaram em Rondônia prometendo virar eleições. Nem sempre, porém, grife garante resultado na urna.
Promessa
O jornalista e publicitário Tonico Bandeira chegou com sua equipe como promessa para fazer deslanchar a campanha do ex-prefeito Hildon Chaves (União) ao Governo de Rondônia. No entanto, não conseguiu tirá-lo do terceiro lugar.
Estratégia
Tonico Bandeira e sua equipe produziram um dos melhores programas eleitorais de rádio e televisão da campanha. O problema é que televisão bonita não substitui estratégia territorial. Hildon continuou em terceiro lugar.
Cometeu
Hildon Chaves (União) também cometeu um erro primordial: deixou um vácuo entre a Prefeitura de Porto Velho e a campanha ao governo. Ou seja, não percorreu o interior para se tornar conhecido e ainda teve baixo desempenho nos debates.
Emblemático
Tonico Bandeira não colecionou apenas a derrota em Rondônia. Também esteve em campanhas no Mato Grosso e no Distrito Federal. O caso mais emblemático foi Mato Grosso, com o senador Wellington Fagundes (PL).
Derrota
Wellington Fagundes era apontado como favorito ao Governo de Mato Grosso, impulsionado pela onda da direita que varreu o país. Mesmo assim, amargou uma derrota no primeiro turno. Mais uma prova de que favorito também erra e perde eleição.
Terminar
Omar Caldas, da Oca Marketing Político, assumiu a campanha da deputada federal Silvia Cristina (PP), que chegava à disputa como franca favorita ao Senado. Conhecido por se apresentar como estrategista, viu a candidatura terminar em terceiro lugar.
Contrasta
O resultado contrasta com seus trabalhos de 2024, quando teve excelente desempenho nas campanhas de Euma Tourinho (MDB), no primeiro turno, e Léo Moraes (Podemos), no segundo. Em política, porém, cada eleição tem sua própria estratégia.
Motivos
João Kalache viveu um dos episódios mais emblemáticos desta campanha ao deixar a coordenação de marketing de Adailton Fúria (PSD) no meio da disputa ao Governo de Rondônia. Nos bastidores, o motivo teria sido o comportamento impulsivo do candidato e os constantes desencontros.
Trilhos
Fúria (PSD) teria insistido em definir suas próprias estratégias e, em alguns momentos, ignorado orientações da equipe de marketing. O caso reforça uma velha regra eleitoral: marqueteiro pode desenhar a rota, mas, se o candidato não segue o mapa, até a melhor estratégia pode sair dos trilhos.
Missão
A saída do argentino Jorge Derez da campanha de Marcos Rogério (PL) marcou uma mudança na estratégia. Em seu lugar chegaram Marcelo Vitorino e Natália Mendonça, com a missão de reorganizar a comunicação e reposicionar o candidato.
Chegou
Vitorino deixou Rondônia com a derrota de Mariana Carvalho (União) nas eleições municipais de 2024. Ela chegou em primeiro ao segundo turno, mas perdeu para o segundo colocado. Além disso, terminou a disputa com menos votos que na primeira etapa.
Desafio
Vitorino e Natália chegaram à campanha de Marcos Rogério (PL) apenas dois dias antes da convenção. O tempo era curto e o desafio enorme: mudar a percepção de um candidato excessivamente ideológico para uma liderança mais pragmática.
Apresentar
A estratégia buscou apresentar Rogério como alguém capaz de governar, resolver problemas e melhorar a vida dos rondonienses. Era preciso deslocar o foco da disputa ideológica para propostas, resultados e capacidade de gestão do Estado.
Imagem
Outro desafio era recuperar as origens de Rogério como pessoa humana, imagem que havia perdido desde a eleição de 2022. A nova comunicação tentou resgatar esse lado, aproximando o candidato do eleitor e tornando sua trajetória mais compreensível.
Reposicionou
A vitória de Marcos Rogério (PL) no primeiro turno também passa pela estratégia e pelo marketing político e eleitoral. A campanha reposicionou sua imagem, ampliou o diálogo com o eleitor e transformou planejamento em votos, evitando erros.
Vídeo
Outro ponto a ser observado na campanha de Marcos Rogério (PL) foi o vídeo que humanizou o candidato durante o encontro do PL, em 15 de março, em Ji-Paraná. Produzido pela Atos Publicidade, de Melqui Moreira, tornou-se um divisor de águas.
Gerez
No Paraná, Sandro Alex (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Júnior (PSD), ficou fora do segundo turno. A campanha, conduzida pelo marqueteiro Jorge Gerez, mostra que apoio de governo e estratégia de marketing não garantem vitória.
Cobrou
O marqueteiro Antonio Botelho não conseguiu reconectar o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) com o eleitor. Na disputa ao Senado, a falta de sintonia cobrou seu preço: Acir terminou derrotado pela candidata do PT, a jornalista Luciana Oliveira.
Milagre
No fim das contas, o #TBT deixa uma lição: marketing não faz milagre, estratégia não substitui candidato e dinheiro não compra voto. Em eleição, ganha quem entende o eleitor, erra menos e consegue transformar planejamento em confiança, voto e vitória.
Sério
Falando sério, a coordenação da campanha de Lula (PT-SP) errou na comunicação, demorou a reagir e apostou no excesso de confiança. Agora, tenta buscar os indecisos e convencer quem ficou em casa a votar, numa corrida para corrigir erros que poderiam ter sido evitados.


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