RESENHA POLÍTICA
ROBSON OLIVEIRA
DEBATE
Não existe opinião completamente asséptica sobre debate eleitoral. Desde que as câmeras foram desligadas, ouvi e li análises tão diferentes que, por alguns momentos, parecia que os comentaristas tinham assistido a debates realizados em estados distintos. A preferência política costuma ser uma lente poderosa: amplia virtudes, esconde defeitos e, dependendo do freguês, transforma tropeço em genialidade.
PROFISSIONALISMO
Ainda assim, é possível analisar um debate com critérios profissionais, separando simpatias e antipatias daquilo que efetivamente aconteceu no estúdio. Comparado aos anteriores, o debate foi razoável e bem mais proveitoso dos que os demais. Houve espaço para que os candidatos apresentassem posições sobre temas importantes da administração pública, especialmente saúde, segurança, economia, educação, meio ambiente e funcionalismo. Como ocorreu momentos tensos. Que também é esperado nestes encontros.
ELEITOR
Existe ainda um equívoco recorrente na análise desse tipo de confronto. Jornalistas costumam esperar que o candidato responda exatamente à pergunta formulada. O candidato, porém, quase nunca está preocupado em convencer quem pergunta. Ele responde olhando para a câmera e tentando conversar com o eleitor que está em casa. A pergunta é, muitas vezes, apenas a plataforma de lançamento para uma mensagem previamente escolhida. Embora o jornalista só enxergue a pergunta. Não adianta vencer o debate sem acrescentar um voto.
TROFÉU
Por isso, essa história de proclamar quem “ganhou o debate” serve muito mais às mesas de comentaristas do que às urnas. Candidato não disputa troféu de oratória. Disputa voto. E ninguém deveria esperar sinceridade fiscal absoluta num debate eleitoral. Prometer é barato; governar custa caro.
ORÇAMENTO
Nenhum candidato vai subir ao púlpito para anunciar que metade dos desejos do eleitor esbarra no caixa do Estado. Campanha é a estação do ano em que o orçamento público adquire uma elasticidade quase sobrenatural.
ACUSAÇÃO
O confronto mais áspero ocorreu quando Expedito Neto questionou Marcos Rogério sobre a origem de R$ 1 milhão relacionada a um caso envolvendo um frigorífico. Marcos reconheceu a existência de uma cobrança judicial, o que afasta a ideia de que o episódio seja simplesmente uma invenção.
ILÍCIO
Isso, porém, não autoriza concluir pela existência de corrupção ou qualquer ilícito sem que haja decisão ou elementos probatórios suficientes. Politicamente, a pergunta produziu desconforto; juridicamente, a história ainda exige cautela. Mas o candidato tratou o assunto como uma relação comercial que será decidida na esfera judicial adequada. Se foi convincente ou não, cabe ao eleitor julgar
ALVO
Marcos Rogério, que aparece à frente nas pesquisas divulgadas nesta campanha, naturalmente concentrou ataques dos adversários. Nada de extraordinário: quem ocupa a dianteira costuma carregar um alvo nas costas. Respondeu às questões sobre seu programa com desenvoltura e explorou sua conhecida facilidade de comunicação. No episódio do frigorífico, entretanto, a resposta pareceu menos fluida que nas demais intervenções. Mas confirmou a fama de boa oratória.
SUPERFICIAL
Samuel Costa apareceu menos beligerante do que em debates anteriores. Tratou dos assuntos apresentados, embora algumas respostas tenham ficado na superficialidade. Voltou a defender como proposta econômica a tributação do setor da soja para financiar investimentos em infraestrutura - ideia que, naturalmente, exige discussão sobre viabilidade jurídica, impacto econômico e desenho tributário.
PREVISÍVEL
Expedito Neto adotou postura mais combativa e utilizou boa parte de suas intervenções para defender o legado dos governos Lula e vincular sua candidatura ao campo político do presidente. Era previsível. Em campanha, candidato também vende pertencimento político. A proveito a polarização nacional para fustigar o candidato do PL. Aliás, vários petistas cobravam este duelo.
CONFUSO
Hildon Chaves voltou a apresentar no debate uma desenvoltura diferente daquela observada em entrevistas. Em alguns momentos houve hesitação e perda do encadeamento entre pergunta e resposta. É curioso porque, fora desse formato, costuma organizar melhor o raciocínio.
EVOLUIU
Comparado às participações anteriores, entretanto, apresentou evolução. Não foi a atuação que seus admiradores talvez esperassem daquele Hildon dos debates municipais, mas tampouco o desastre descrito por alguns adversários.
VITRINI
Adailton Fúria percorreu temas como saúde, meio ambiente, educação e funcionalismo e recorreu à experiência administrativa em Cacoal como vitrine para propostas estaduais. No bloco final, houve confusão entre a pergunta recebida e as considerações finais, sem alterar conteúdo; já refeito, terminou retomando a questão na tréplica, embora no bloco anterior tenha abordado o assunto ambiental. Assim como Hildon, procurou transformar a prefeitura que administrou numa espécie de cartão de visitas para o Palácio Rio Madeira. Fúria se saiu bem e manteve seu perfil combativo.
ELOQUÊNCIA
Pedro Abib manteve sua característica de apresentar argumentos em sequência acelerada, quase sem intervalo. Demonstra conhecimento de temas administrativos, mas a quantidade de informações pode disputar espaço com a clareza da mensagem. No marketing eleitoral, saber muito e conseguir comunicar esse conhecimento são problemas diferentes.
CONTRADIÇÃO
Abib também insiste na condição de novidade política. É uma narrativa que enfrenta uma contradição evidente quando sua campanha aparece acompanhada por personagens históricos do MDB. Fica difícil vender o perfume do novo quando algumas raposas antigas aparecem na fotografia. Fúria foi em cima da contradição exposta pelo professor.
RESERVAS
O emedebista ainda recebeu questionamentos envolvendo a criação de reservas durante o governo de Confúcio Moura, episódio que provocou forte reação política na época. É justamente aí que a tentativa de separar completamente o candidato da história do partido encontra seus limites. Pedro é bom orador. Falta-lhe experiência em usar na política de forma adequada de tanta sapiência.
PROVEITOSO
No conjunto, o debate cumpriu sua função. Não houve milagre, nocaute ou revelação capaz de transformar sozinho uma eleição. Houve candidatos tentando mostrar suas propostas, esconder fragilidades e ocupar os poucos segundos disponíveis para conversar com o eleitor. Foi um debate proveitoso.
PREMISSAS
O resto - escolher campeão, vice-campeão e entregar medalha de bronze - deixemos para nós, jornalistas. A urna costuma ignorar solenemente o pódio inventado depois do debate.
PREFEITO
Hoje, no Podcast Resenha Política, este cabeça chata recebe o prefeito da capital, Léo Moraes, para um papo reto, sem rodeios, sobre as ações de sua administração. Um dos principais assuntos é a saúde, com o início do funcionamento do Hospital Universitário, que começa a atender a população em exames e especialidades médicas.
ABERTO
Nem toda a estrutura estará disponível imediatamente, porque parte das instalações ainda está em obras, mas serviços como oftalmologia e cardiologia, entre outros, começam a sair do papel.
MARCA
Colocar uma nova unidade hospitalar em funcionamento na capital deixa uma marca importante para a gestão. Em seu segundo ano de mandato, Léo Moraes apresenta na saúde iniciativas de uma dimensão que seus antecessores não conseguiram entregar em conjunto.
ARTICULADOR
Outra obra abordada na entrevista é a pavimentação do acesso da BR-364 ao Porto, intervenção destinada a retirar do centro de Porto Velho parte do tráfego pesado dos caminhões que transportam grãos. A previsão apresentada pela administração municipal é concluir a pavimentação até o fim do ano - prazo pouco usual numa administração pública acostumada a transformar calendário de obra em peça de ficção.
ELEIÇÕES
Léo também fala sobre as eleições de domingo e faz suas próprias projeções sobre os candidatos. Com o irmão, Paulo Moraes, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, coube ao prefeito parte importante da articulação política da candidatura, que começa a demonstrar vitalidade eleitoral nesta reta final. O podcast será dividido em dois blocos, com exibição hoje e amanhã. Administração, saúde, obras e eleições numa conversa sem perguntas combinadas nem conversa perfumada. Hoje tem Léo Moraes no Resenha Política.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!