Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
Troca de marqueteiros expõe crise de identidade no marketing eleitoral e revela disputa entre estratégia, redes sociais, inteligência e política de rua
CARO LEITOR, estaria o marketing eleitoral vivendo uma crise de identidade? Se não, o que explica tantas trocas de marqueteiros nas campanhas presidenciais e estaduais, justamente às vésperas do início da propaganda no rádio e na TV? No #TBT de hoje, lembro José Serra (PSDB), que trocou de marqueteiro na eleição presidencial de 2002. Agora, a mais recente mudança ocorreu nas campanhas dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Augusto Cury (Avante-SP). O mesmo movimento já aconteceu, por duas vezes, nos QGs de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e no marketing do presidente Lula (PT-SP). Nos bastidores, divergências sobre estratégia e comunicação ajudam a explicar essas mudanças. O fenômeno Jair Bolsonaro (PL-RJ), em 2018, e, depois, fenômenos de vida breve, como Pablo Marçal (PRTB), em 2024, criaram na classe política a expectativa de que eleição se ganha nas redes sociais. Os profissionais mais experientes do marketing eleitoral tendem a desconfiar dessa máxima. Eu sou um deles. Defendo que campanha se ganha no online e no offline. As redes amplificam a mensagem, mas a rua produz imagens, encontros, fatos e narrativas capazes de abastecer o digital. Tecnologia ajuda, mas não substitui estratégia, presença e conexão com o eleitor.
Construção
A campanha online não existe sem o offline. Visitas, reuniões, carreatas e eventos geram imagens, fatos e histórias que alimentam as redes. O digital amplia a mensagem, mas é a rua que oferece conteúdo para construir uma narrativa eleitoral.
Palpiteiros
Outro fator de estresse é o excesso de palpiteiros na comunicação. Parentes, amigos e aliados, mesmo sem experiência, interferem porque têm acesso ao candidato. Ouvir é legítimo; entregar decisões estratégicas a quem não entende do assunto, não.
Marqueteiro
Foi-se o tempo em que o marqueteiro mandava e desmandava na campanha. Hoje, divide espaço com candidato, assessores, estrategistas e equipe digital. Sua função continua decisiva, mas autoridade não significa poder absoluto sobre a comunicação eleitoral.
Inteligência
A inteligência artificial entrou de vez no jogo e o digital ganhou peso na formação da opinião. A tecnologia acelera produção, testa narrativas e amplia alcance, mas não substitui estratégia. Sem direção, mais conteúdo pode significar apenas mais ruído.
Turbulência
O marketing eleitoral, que já ocupou manchetes por escândalos como Mensalão, Petrolão e Lava Jato, vive agora outra turbulência: a revolução das narrativas, impulsionada pelo avanço do digital e pela inteligência artificial.
Impulsionou
Falando em impulsionada, o ex-prefeito de Porto Velho e candidato a governador Hildon Chaves (União) demorou a escolher sua equipe de marketing. A chegada de Tonico Bandeira ainda não impulsionou o candidato nas pesquisas.
Conexão
Tonico Bandeira e sua equipe definiram a estratégia de marketing de Hildon Chaves (União) e Mariana Carvalho (Republicanos). Até agora, porém, a comunicação ainda não encontrou a conexão esperada com o eleitorado de Rondônia.
Derretendo
Tonico Bandeira também conduz o marketing de Mariana Carvalho (Republicanos), enquanto Omar Caldas trabalha para Silvia Cristina (PP). Para ambos, a queda de Fernando Máximo (PL) e o crescimento de Bruno Bolsonaro Scheid (PL) podem mudar o jogo.
Rejeitou
Falando em Bolsonaro, o TRE-RO rejeitou novo pedido da Procuradoria Eleitoral para impedir Bruno Scheid (PL) de usar o sobrenome Bolsonaro. Assim, ele poderá manter Bruno Bolsonaro Scheid nos materiais da campanha eleitoral.
Considerou
Segundo a defesa, o TRE-RO considerou a boa-fé, a proximidade de Bruno Scheid com Jair Bolsonaro (PL) e uma procuração concedida pelo ex-presidente. Foi a terceira tentativa de impedir o uso do sobrenome na campanha ao Senado.
Demorou
O governista Adailton Fúria (PSD) também demorou a definir o marqueteiro, mas parece ter acertado com João Kaleche. O desafio é administrar o peso que carga nas duas pernas, o governador Marcos Rocha (PSD) e de políticos rejeitados nas urnas, que podem contaminar sua imagem.
Solução
O candidato ao Senado Luis Fernando (PSD), companheiro de chapa de Adailton Fúria (PSD), segue sem marqueteiro e aposta em uma solução caseira. A contratação de Gilberto Musto não vingou, deixando o marketing eleitoral sem comando definido.
Desafio
Marcos Rogério (PL) começou a pré-campanha com o argentino Jorge Gerez, mas trocou a equipe e trouxe Marcelo Vitorino e Natália Mendonça. O desafio é renovar sua imagem diariamente nas redes para enfrentar o adversário TikTok, Adailton Fúria (PSD).
Missão
O publicitário rondoniense Melqui Moreira conduz a campanha de Bruno Bolsonaro Scheid (PL) e vem acertando na comunicação. Já Marcelo Vitorino e Natália Mendonça têm a missão de conter o derretimento de Fernando Máximo (PL) na preferência do eleitor.
Contratar
O neopetista Expedito Netto (PT) seguia sem marqueteiro, apostando em soluções caseiras de militantes para conduzir sua comunicação. Com R$ 1.867.824,65 do FEFC, o candidato agora tem recursos para contratar uma empresa especializada em marketing eleitoral.
Generoso
O PT Nacional foi generoso com Expedito Netto (PT), destinando R$ 1.867.824,65 do FEFC para sua campanha. Fátima Cleide (PT) e Ramon Cujuí (PT), em disputas anteriores, jamais tiveram à disposição uma soma dessa dimensão eleitoral.
Volume
Nem a candidata ao Senado Luciana Oliveira (PT), militante histórica da esquerda, recebeu o mesmo volume destinado a Expedito Netto pelo PT Nacional. Luciana recebeu R$ 1.588.286,27 do FEFC para dar o pontapé inicial na campanha.
Piruliro
Pedro Abib (MDB) segue sem marqueteiro e sem acesso ao FEFC milionário do MDB. Recebeu apenas R$ 47.500 do Fundo Partidário do MDB estadual e continua como Piruliro Baby: cantando para o pai pedindo dinheiro para comprar flores para namoradinha.
Venceu
Falando em flores, a única candidata ao Senado pelo PSB registrada até agora no DivulgaCand é a ativista indígena e ambiental Neidinha Suruí. Ela superou a violência política e de gênero que afirma ter sofrido na disputa interna da legenda socialista com os irmãos João e Pedro Campos, dirigentes do PSB.
Cipriano
A ex-juíza Rosangela Cipriano vinha fazendo campanha ao Senado, usando o número 405, sem registro de candidatura e com CNPJ de candidata a deputada federal. Nas últimas 24 horas, apagou as postagens ao Senado e passou a divulgar sua candidatura a federal.
Troca
O candidato a deputado estadual Luis Maiorquim (Republicanos), médico, trocou sua equipe de marketing na primeira semana de campanha. A mudança já aparece no Instagram, com peças de qualidade inferior. Para completar, perdeu o coordenador Ricardo Vieira e pode ficar sem estrategista.
Vantagem
Luis Maiorquim (Republicanos) disputa espaço com o médico Luiz Ferrari (Avante) nos hospitais João Paulo II, de Base e demais unidades estaduais de saúde. Ferrari, porém, leva vantagem ao contar com uma base eleitoral consolidada em Rolim de Moura.
Declaração
A campanha do deputado estadual Marcelo Cruz (Avante) e do seu pai, vereador pastor Evanildo (PSD), que disputa uma cadeira a Câmara de Deputados, ganhou reforço com a declaração de apoio da professora Irani Oliveira Lima Morais. Ela reuniu centenas de professores em sua residência, onde o grupo fez uma manifestação conjunta em favor dos candidatos.
Palanque
O deputado estadual Alan Queiroz (PL), candidato à reeleição, realizou uma das maiores reuniões eleitorais na Zona Sul da capital. Ao lado de Marcos Rogério (PL), dividiu o palanque com o candidato ao governo e foi ovacionado pelos presentes.
Transferência
O candidato a deputado estadual Paulo Moraes Júnior (Podemos) começa a demonstrar crescimento nas ruas da capital. A eleição será um teste para o prefeito Léo Moraes (Podemos), que precisa provar aos caciques políticos sua capacidade de transferir votos.
Paroca
O vereador Zé Paroca (Avante) participou de reuniões gigantes no Candeias do Jamari. Assim como ganhou como sendo novidade nas urnas para vereador na capital, Paroca pode surpreender nas urnas na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Crítico
A Coluna Falando Sério manifesta solidariedade ao jornalista Rubens Coutinho, do Tudo Rondônia, alvo de ação judicial por militantes do PT após publicar análise sobre decisões do partido nas eleições de 2026. Jornalismo crítico não é crime.
Sério
Falando sério, no tabuleiro eleitoral, trocar marqueteiro, buscar apoios e medir forças faz parte do jogo. Mas eleição não se ganha apenas com dinheiro, redes ou palanques. Ganha-se com estratégia, presença, narrativa e credibilidade. O eleitor continua sendo o dono da decisão.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!