A única ligação rodoviária de Manaus com os demais estados é a BR-319, construída na década de 1970. Depois de décadas, ela está sendo readequada e reasfaltada pelo Governo Federal. São cerca de 900 km entre Porto Velho e Manaus, com trechos críticos, como o conhecido "Meião", com aproximadamente 400 km, onde estão concentrados os trabalhos de reestruturação da rodovia.
Os cerca de 900 km entre Porto Velho e Manaus constituem uma das principais ligações terrestres entre o Amazonas e o restante do país. Sem a BR-319, chega-se a Manaus somente por via aérea ou navegação. Uma viagem de Porto Velho a Manaus pelo Rio Madeira pode demorar de sete a doze dias, dependendo das condições de navegação. Pela BR-319, o percurso pode ser feito em cerca de um dia, dependendo das condições da estrada, que passa por reconstrução.
O Verão Amazônico, período em que as chuvas são esparsas na região, como ocorre agora, facilita as obras de restauração da BR-319. A princípio, são cerca de 20 quilômetros que estão sendo reasfaltados pelo Dnit, e o projeto é recuperar todo o "Meião", com aproximadamente 400 km, além de reformas de pontes e outras obras necessárias.
A meta do Governo Federal é investir pouco mais de R$ 585 milhões no reasfaltamento e na readequação da BR-319 até 2029. Com recursos do PAC, estão sendo investidos R$ 163 milhões na recuperação do trecho entre os quilômetros 198 e 218, com previsão de conclusão até o final do ano.
A ação, importante e oportuna, do governo Lula da Silva (PT), investindo na reconstrução da BR-319, não é a mesma em Porto Velho com relação à ligação da BR-364 ao porto graneleiro de Porto Velho, no Rio Madeira, importante via de exportação de soja, milho, café e carne bovina. Em recente entrevista, Lula disse que o Expresso Porto seria uma obra do seu governo.
Dizer que o trecho de cerca de 17 km, que retira o tráfego pesado do centro de Porto Velho no acesso ao terminal portuário, por onde passam cerca de 2,5 mil carretas, bitrens e treminhões por dia, é uma obra do Governo Federal não corresponde à realidade. Quem está arcando com o custo da obra são os contribuintes (compulsórios), que pagam um dos pedágios mais caros do Brasil, sem que nenhuma obra de relevância seja feita ao longo dos cerca de 700 km da BR-364 entre Porto Velho e Vilhena.
O presidente Lula está equivocado ou mal informado sobre a situação do contorno da BR-364 em Porto Velho. A responsável pelo trecho, a Nova 364, foi ágil em construir os sete pontos de pedágio ao longo da rodovia, pelo sistema eletrônico, com uma das tarifas mais caras do Brasil (R$ 21,10 a cada 100 km), que estão ativos desde o início do ano. Passarelas, duplicação e terceiras pistas certamente são obras a serem executadas ao longo dos 30 anos de duração do contrato.
Há dias, um repórter de um órgão de comunicação do estado denunciou o trabalho equivocado no recapeamento de trechos da BR-364. Inclusive, mostrou alguns locais onde o piso recuperado apresentava desníveis, o que pode comprometer a segurança dos condutores. Um absurdo de engenharia.
Quem está pagando a obra do contorno são os usuários da rodovia, por onde circulam, em períodos de safra de grãos, cerca de 2,5 mil veículos pesados por dia, além de veículos de passeio e motocicletas. Passam pelo trecho, além da produção de grãos (soja, milho e café) e da carne bovina de Rondônia, boa parte dos grãos produzidos no Mato Grosso, que são exportados pela Hidrovia do Madeira, em Porto Velho.
A readequação e o reasfaltamento da BR-319 são, sim, uma ação oportuna e importante do Governo Federal, mas o contorno da BR-364 em Porto Velho, não. Quem banca a obra é o usuário da mais importante rodovia federal em Rondônia, na ligação entre Porto Velho, Vilhena e Mato Grosso, que deveria ser imediatamente recuperada e duplicada em toda a sua extensão, e não somente em pouco mais de 100 km, ainda assim com um prazo absurdo de 30 anos.
Indiretamente, é o usuário da BR-364, que paga pedágio compulsoriamente, quem bancará a obra do contorno. É ele quem garantirá a construção do Anel Viário de acesso ao porto no Rio Madeira. Não será o Governo Federal, como deveria ser. Graças aos políticos federais (senadores e deputados), que "cruzaram os braços" durante a realização do leilão da rodovia, em fevereiro de 2025, vencido pelo Consórcio 4UM/Opportunity, único participante. A omissão é bancada pelo usuário, que paga um pedágio elevado enquanto a rodovia permanece perigosa e continua contabilizando acidentes com vítimas fatais.


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