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REVELAÇÃO

Fiocruz relata que remédios para malária destinado a Yanomami foram desviados para garimpeiros

Há suspeita que um dos lotes do medicamento artesunato + mefloquina, usado no tratamento de malária, foi desviado para atender garimpeiros invasores. Povo Yanomami enfrenta crise sanitária na Saúde

Por G1
Publicada em 30/01/2023 às 16h25

Um ofício da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) relata que remédios contra malária do Ministério da Saúde destinados ao povo Yanomami estão sendo vendidos no garimpo.

No documento, de 18 de janeiro, a Fiocruz solicitou que o Ministério da Saúde faça um rastreio da distribuição do medicamento --artesunato + mefloquina. Para isso, informou o número do lote que deve ser rastreado.

"Tivemos a informação que a medicação está sendo vendida por garimpeiro, próximo a comunidade da tribo indígena Yanomami, na Amazônia [...]. Diante da gravidade e criticidade dessa notificação e tendo Farmanguinhos entregue toda a produção ao Ministério da Saúde, vimos a necessidade de informar-lhes a fim de que medidas possam ser tomadas para que o rastreio da distribuição desse medicamento possa ser feito e apurado o fato relatado", citou a Fiocruz no ofício enviado no dia 18 de janeiro.

De acordo com a Fiocruz, o lote do medicamento sob suspeita foi produzido e distribuído pela unidade de Farmanguinhos, que é um dos laboratórios da Fundação com sede no Rio de Janeiro.

O g1 solicitou posicionamento do Ministério da Saúde sobre o caso, mas até a publicação da reportagem não havia resposta.

A malária é um dos principais problemas de saúde registrados pelo povo Yanomami, que enfrenta uma grave crise sanitária na saúde. A doença agrava os casos de desnutrição severa em crianças e adultos.

Situação Yanomami

Após várias imagens e relatos de avanço de doenças na Terra Yanomami, o Ministério da Saúde declarou emergência de saúde pública para combater desassistência de indígenas no território.

O governo federal também criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes para prestar atendimento a essa população.

O plano de ação deve ser apresentado no prazo de 45 dias, e o comitê trabalhará por 90 dias – prazo que pode ser prorrogado.

Após visitar a Terra Indígena, o secretário de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, disse que o cenário é de guerra e planeja instalar dentro do território um hospital de campanha para atender os inúmeros indígenas doentes.

Autoridades locais, como o Ministério Público Federal (MPF), líderes indígenas, organizações como a Hutukara Associação Yanomami, e ambientalistas afirmam que a maior causa para se chegar ao atual caos sanitário da TI foi o avanço do garimpo, frente à omissão do estado brasileiro em assegurar a proteção do território e, consequentemente, aos Yanomami.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que esteve em Roraima com Lula, determinou abertura de inquérito policial para apurar o crime de genocídio e crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami.

Na quarta-feira (25), a Polícia Federal abriu inquérito para investigar se houve crime de genocídio e omissão de socorro na assistência dada pelo governo federal aos Yanomami. A investigação foi aberta a pedido de Dino e vai tramitar em Roraima. Na sexta, foram feitas diligências na Casai.

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