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ESTADO PALESTINO

"Israel não ficará em silêncio", diz ministro após Irlanda, Espanha e Noruega anunciarem reconhecimento de Estado Palestino

Em desafio à comunidade internacional, militares de Israel aprovaram o retorno de três assentamentos israelenses na Cisjordânia que haviam sido evacuados em 2005

Por G1
Publicada em 23/05/2024 às 16h31
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Embaixadores dos três países em Tel Aviv foram convocados para prestar esclarecimentos. Foi a primeira vez desde o início da guerra entre Israel e o Hamas que governos do Ocidente anunciaram reconhecimento, um pleito histórico dos palestinos.

Após o anúncio do reconhecimento do Estado Palestino por Noruega, Espanha e Irlanda, nesta quarta (22), Israel anunciou a convocação dos embaixadores dos três países em Tel Aviv para esclarecimentos.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, chamou de volta os embaixadores em Oslo, Madri e Dublin. O gesto é um sinal de reprovação na linguagem diplomática.

Em um gesto histórico, Noruega, Espanha e Irlanda anunciaram o reconhecimento de um Estado Palestino independente. Essa foi a primeira vez desde o início da guerra entre Israel e o Hamas que governos do Ocidente anunciaram esse reconhecimento, um pleito histórico dos palestinos.

Katz afirmou que a decisão de reconhecer um Estado Palestino "minou o direito de Israel à autodefesa e os esforços para devolver os 128 reféns detidos pelo Hamas em Gaza".

"Israel não ficará em silêncio”, disse o ministro israelense. "Estamos determinados a alcançar os nossos objetivos: restaurar a segurança dos nossos cidadãos e a remoção do Hamas e o regresso dos reféns. Não existem objetivos mais justos do que estes", crescentou Katz.

Assentamentos na Cisjordânia

Na quarta-feira, em desafio à comunidade internacional, militares de Israel aprovaram o retorno de três assentamentos israelenses na Cisjordânia que haviam sido evacuados em 2005.

Também em resposta ao reconhecimento do Estado Palestino -- e em um ato de provocação --, o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, visitou nesta quarta o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.

O local é sagrado tanto para judeus quanto para muçulmanos, mas é reconhecido internacionalmente como parte do território palestino da Cisjordânia. Ben-Gvir é um defensor histórico dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pela comunidade internacional.

"Nós não vamos permitir sequer uma nota sobre um Estado Palestino", disse o ministro, ao ser questionado.

Reflexos da guerra

O reconhecimento dos três países será formalizado na próxima terça-feira (28). A decisão conjunta foi tomada depois de a Assembleia Geral da ONU ter aprovado, no início do mês, uma resolução que abre caminho para o reconhecimento da Palestina como Estado-membro da organização.

Desde o início dos bombardeios e da incursão por terra de Israel em Gaza, em resposta aos ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro, os governos de Espanha e Irlanda têm marcado oposição ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

A guerra deixou Gaza em ruínas, com sua população sem saneamento e à beira da fome, segundo organismos internacionais. Já são mais de 35 mil mortos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Na incursão terrorista em Israel, o Hamas matou mais de 1.200 pessoas e levou centenas de reféns.

Até o momento, sem contar Irlanda, Espanha e Noruega, 143 membros da ONU reconhecem a existência do Estado Palestino, incluindo o Brasil.

Reconhecimento na ONU

No último dia 10, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que abre caminho para que a Palestina se torne membro das Nações Unidas e concede "novos direitos e privilégios” aos palestinos.

O texto pede que o Conselho de Segurança da ONU aprove que a Palestina se torne o 194º membro das Nações Unidas.

A resolução foi aprovada por 143 votos a favor, nove contra e 25 abstenções. O Brasil votou a favor da resolução. Argentina, Israel, Estados Unidos, República Tcheca, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau, Papua-Nova Guiné deram votos contrários à medida.

Para que a Palestina seja reconhecida como "Estado observador" da ONU, a medida tem que passar pelo Conselho de Segurança, o que não deve acontecer, já que os EUA têm poder de veto no órgão.

Ainda assim, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a medida é um grande passo para o reconhecimento da Palestina como um membro pleno da ONU.

Desafios para criação de um Estado Palestino

Embora o reconhecimento internacional seja um passo importante, a criação de um Estado Palestino de fato ainda passa por vários desafios. Desde 2007, seus dois territórios são controlados por grupos rivais: a Cisjordânia é governada pelo Fatah, laico, enquando Gaza é politicamente governada pelo Hamas, de inspiração religiosa.

Além disso, a Cisjordânia possui diversos assentamentos israelenses protegidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), que, na prática, controlam o território -- estabelecendo inclusive postos de controle para palestinos que vivem na região.

Israelenses de extrema-direita, incluindo membros do governo Netanyahu, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defendem o direito de Israel ocupar a Cisjordânia. Estabelecer um Estado Palestino viável passaria pela remoção de centenas de milhares de assentados israelenses da região.

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