PORTO VELHO, RO – A candidata ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores, Luciana Oliveira, afirmou que a legenda decidiu conceder a Expedito Netto o “benefício da confiança” após a aproximação do ex-deputado com o campo político liderado pelo presidente Lula. A declaração foi feita durante participação no RD Entrevista, podcast apresentado pelo jornalista Vinícius Canova, realizado no Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.
O assunto entrou na conversa por causa do voto de Expedito Netto a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Questionada sobre o grau de conforto do PT com a atual aliança, Luciana reconheceu que a aproximação provocou estranhamento inicialmente e disse ter tratado pessoalmente do tema com o candidato.
“Confortáveis, sim, nos sentimos confortáveis. A princípio, não. A princípio foi muito estranho, sendo bem sincera, e eu já falei isso para ele: é uma pessoa que fez coisas contra nós”, declarou. Segundo Luciana, a postura apresentada posteriormente por Expedito e a adesão às pautas defendidas pelo grupo pesaram na construção da relação política. “Expedito chegou assim, humilde, se investindo das nossas pautas. Isso basta. A gente não tem que ficar explicando o resto da campanha para sempre porque tomou essa decisão.”
ASSISTA:
Ao aprofundar o tema, Luciana vinculou a aliança ao objetivo eleitoral de manter Lula na Presidência da República. Para ela, divergências históricas podem ser administradas quando antigos adversários passam a defender o mesmo projeto político. “O mínimo que a gente podia fazer era dar ao Expedito Netto o benefício da confiança”, afirmou. Em outro trecho, destacou que a democracia também envolve reconstrução de alianças e acomodação de conflitos políticos.
A candidata reservou parte das críticas mais duras da entrevista para a atuação de representantes de Rondônia no Congresso Nacional. Ao tratar de votações realizadas pelos parlamentares, mencionou meio ambiente, marco temporal, licenciamento ambiental, desoneração da folha de pagamento e a chamada PEC da Blindagem.
“Que tipo de parlamentar tem coragem de votar a favor da PEC da Blindagem, para que políticos não sejam processados, julgados e punidos?”, questionou. Luciana afirmou que a forma como os representantes do Estado se posicionam nessas votações deve ser considerada pelo eleitor na escolha de quem pretende promover a cargos maiores ou manter no Congresso.
A discussão sobre política nacional foi acompanhada por um relato pessoal envolvendo ameaças de morte. Luciana contou que recebeu mensagens pouco antes de viajar para a China e que procurou os mecanismos de denúncia da plataforma onde a ameaça foi publicada.
“Eu recebi as ameaças de morte pelas redes sociais três, quatro dias antes de ir para a China. E não sabia o que fazer, porque denunciei ao Instagram e a frase era: ‘você vai morrer, está avisada’”, relatou. De acordo com a candidata, a denúncia não resultou inicialmente na retirada do conteúdo, circunstância que a levou a questionar o funcionamento da moderação das plataformas.
Luciana associou o episódio ao que classificou como violência política e também relatou ter recebido ataques de caráter misógino. A experiência foi utilizada por ela para defender uma discussão sobre responsabilização e regulação das redes sociais. Ao comparar o ambiente digital brasileiro com aquilo que observou durante a viagem à China, ressaltou que o modelo chinês possui controles muito mais rigorosos e afirmou que ameaças e apologia à violência não seriam tratadas da mesma maneira.
“Então esse foi um episódio que me marcou muito, porque foi uma violência política”, declarou. Mais adiante, ao falar sobre sua postura diante das pressões recebidas, afirmou: “Eu não vou me vender e não vou me render.”
A participação das mulheres na política também surgiu na entrevista. Sem aprofundar a disputa interna ocorrida no PSB, Luciana mencionou a situação vivida por Neidinha Suruí e afirmou que prestou solidariedade à então candidata. Disse que as duas mantinham uma relação próxima e já conversavam sobre dificuldades encontradas durante o processo eleitoral.
“Quando uma mulher denuncia, o nosso dever é escutar, solidarizar, acreditar”, afirmou Luciana ao abordar as queixas relatadas por Neidinha. A candidata acrescentou que não pretendia transformar a situação em instrumento eleitoral e disse ter optado pelo apoio pessoal à colega.
Um dos blocos mais extensos do RD Entrevista foi dedicado aos três meses que Luciana passou na China. Segundo a jornalista, ela foi indicada pelo Brasil 247 para participar de um intercâmbio de mídia com profissionais de países do Sul Global e era a única brasileira em um grupo formado por cerca de cem jornalistas.
Luciana contou que a rotina reunia aulas, viagens, produção jornalística e jornadas de aproximadamente 12 horas. Disse ter produzido mais de 60 conteúdos entre reportagens, vídeos, transmissões e outros trabalhos e relatou ter sido reconhecida como jornalista de destaque ao final da experiência. Também destacou ter sido escolhida para falar em nome da América Latina durante a programação.
A relação econômica entre Rondônia e a China entrou no debate a partir da experiência. Luciana afirmou que o país asiático ocupa posição central no comércio exterior rondoniense e defendeu que o Estado discuta não apenas a exportação de sua produção, mas também formas de processá-la e agregar valor localmente.
“O Brasil tem que pensar nisso, em fortalecer a sua indústria, em fortalecer essa indústria que processa, que beneficia o que a gente produz, para a gente acabar com essa dependência”, declarou.
Infraestrutura foi outro eixo explorado. Luciana relatou ter conhecido uma região rural chinesa que, segundo ela, recebeu investimentos pesados em transporte, tecnologia e instalação de empresas. A candidata apresentou a experiência como exemplo do impacto que obras estruturantes podem exercer sobre áreas antes isoladas. “Infraestrutura não só liberta como desenvolve, e muito”, resumiu.
Planejamento de longo prazo, transição energética e combate à pobreza também apareceram na conversa. Luciana citou os planos executados pelo governo chinês e contrastou essa continuidade administrativa com as mudanças de orientação que ocorrem no Brasil a cada alternância de governo.
O combate à corrupção foi apresentado pela candidata como outro elemento central da experiência chinesa. Segundo Luciana, a punição de agentes públicos foi tratada pelo governo local como parte do processo de organização das contas e abertura de espaço para novos investimentos. Para ela, a corrupção funciona como obstáculo permanente ao desenvolvimento brasileiro.
Ao falar sobre sua formação política, Luciana se definiu como uma mulher ligada às causas populares e apresentou a própria trajetória familiar. Nascida em Porto Velho, mencionou o pai, Antônio Cândido da Silva, e atribuiu a ele a autoria de símbolos de Porto Velho e de outros municípios rondonienses. A candidata associou essa história à relação que mantém com o Estado e à decisão de se envolver em questões sociais.
“Uma mulher do povo. Eu sou daqui de Porto Velho, de Rondônia”, disse. Ao explicar sua identificação com a esquerda, afirmou que seu entendimento sobre socialismo democrático não está relacionado à pobreza como objetivo. “A meta não é ficar pobre, a meta é acabar com a pobreza.”
O jornalismo também apareceu como parte dessa construção. Luciana relatou ter trabalhado em grandes empresas de comunicação antes de desenvolver uma atuação independente mais concentrada em comunidades isoladas, povos indígenas e grupos socialmente vulneráveis. Disse ainda que seu trabalho de conclusão de curso analisou o espaço concedido aos povos indígenas na imprensa de Rondônia e comparou abordagens contemporâneas com registros do período de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
No trecho final, a candidata associou a disputa pelo Senado ao histórico profissional e político que apresentou ao longo da entrevista. Defendeu alinhamento com Lula, combate à desigualdade, justiça social e atuação relacionada aos direitos das mulheres, povos originários, trabalhadores, cultura e patrimônio histórico.
Luciana pediu que o eleitor pesquise sua trajetória e busque referências sobre o trabalho realizado antes de decidir o voto. Para a candidata, a campanha deve permitir uma comparação entre o comportamento dos atuais representantes de Rondônia e as alternativas apresentadas na eleição.
Ao encerrar sua participação, reforçou que pretende combinar uma postura crítica com respeito aos adversários e afirmou que sua ligação com Rondônia influencia diretamente a forma como encara a disputa. “Para defender o estado da pilhagem do malcaratismo, que norteia a política brasileira”, declarou ao explicar uma das razões pelas quais afirma ter entrado na eleição. RD Entrevista é uma produção dos estúdios Rondônia Dinâmica em parceria com Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!