A campanha política relacionada às eleições gerais de outubro, iniciada no primeiro minuto do dia 16, já começa a ganhar corpo em todo o Estado. Até o dia 1º de outubro, os candidatos poderão apresentar propostas, mensagens, realizações e trajetórias. Também é permitida a propaganda impulsionada na internet. Já a campanha de rua, inclusive a distribuição de “santinhos” e a realização de carreatas e passeatas, vai até as 22 horas do dia 3 de outubro, véspera das eleições em primeiro turno.
Hoje já temos definidos em Rondônia os candidatos aos principais cargos no Estado, como governador, Senado (duas das três vagas), 8 cadeiras na Câmara Federal e 24 na Assembleia Legislativa (Ale). Em nível nacional, teremos a eleição para presidente da República, mas a disputa regional concentra as atenções tanto de candidatos como de eleitores.
Na disputa pelos cargos de deputado (federal e estadual), os candidatos dos partidos solos e dos que estão unidos em federação devem optar por uma campanha conjunta. Ser o mais bem votado é fundamental, mas é necessário que o partido ou a federação atinja o quociente eleitoral (é o número mínimo de votos válidos que um partido ou federação precisa obter para eleger pelo menos um candidato em eleições proporcionais — deputado federal, estadual ou distrital. Calcula-se dividindo os votos válidos pelo número de cadeiras em disputa).
A mesma situação se aplica aos vereadores, no caso das eleições municipais (prefeitos e vereadores). Não é o caso das gerais deste ano.
Os candidatos dos partidos políticos e das federações devem se ater ao quociente para as eleições, nas disputas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. O planejamento deve ser muito bem analisado pelos dirigentes partidários e candidatos. Não bastará ser o candidato a deputado estadual mais bem votado, por exemplo, se não conseguir atingir o quociente eleitoral.
Nas eleições de 2022, por exemplo, a ex-senadora Fátima Cleide (PT), que é candidata este ano a deputada estadual, disputou a Câmara Federal. Foi a quinta mais bem votada (mais de 28 mil votos) e não conseguiu se eleger devido ao quociente. Foram eleitos, com votações inferiores à dela, o coronel Chrisóstomo Moura (PL), Thiago Flores (Republicanos), Rafael O Fera (Podemos) e Cristiane Lopes (Podemos).
Os candidatos dos diversos grupos políticos à reeleição ou ao primeiro mandato devem se conscientizar da importância da união dos votos para que não ocorra o mesmo que nas eleições de 2022, quando um deputado federal se elegeu com pouco mais de 12 mil votos e Fátima, como já citamos, ficou de fora com mais de 28 mil. Não temos mais as coligações, mas, em política, são necessárias estratégia e visão de futuro, pois nem sempre o hoje irá garantir o amanhã.
Assegurar a posição do mais bem votado é bom para o currículo do político, mas nem sempre garante um mandato, como ocorreu em eleições passadas com lideranças muito bem votadas que ficaram de fora devido ao quociente. A individualidade valorizada representa liderança, mas o líder tem que ter parceiros. De nada adiantará ser o líder dele mesmo.
A frase política, antiga, mas sempre atual, não pode ser esquecida. Ela foi muito utilizada em campanhas passadas por um político do Estado, que passou pela prefeitura, pelo governo do Estado e pelo Senado. “Política não se faz sozinho” é uma frase que talvez seja o óbvio, redundante, mas o agrupamento é fundamental no processo político-eleitoral.
Todo político tem que levar em consideração que, no segmento, jamais se utiliza uma das operações matemáticas, que é a divisão. É necessário priorizar a soma para se multiplicar.
Estamos na primeira semana da campanha eleitoral e já é possível notar que temos candidatos abrindo o leque financeiro e investindo, de forma até abusiva, na ânsia de garantir um mandato. O financeiro no processo eleitoral é necessário, mas não fundamental, pois nem é aplicado com coerência, objetividade e responsabilidade.
Em tudo na vida, o que é demais, em excesso, nem sempre ajuda; até atrapalha. Nada é mais puro que água, mas, em excesso, não faz bem.
A campanha está se iniciando. Temos muitos candidatos à reeleição com amplas condições de se manter e outros, ao primeiro mandato, com amplas condições de se eleger, mas são necessários, mesmo com muito recurso financeiro, planejamento, organização e estratégia. É necessário realizar uma campanha progressiva para não chegar ao topo antes do tempo e depois não conseguir se manter, porque não há mais degrau na “escada” da vitória.
O ditado antigo, mas sempre atual, de que “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém” tem que ser levado em consideração, pois chegar nem sempre é muito difícil quando não falta o financeiro, mas se manter, sim.
Já tivemos exemplos do “já ganhou” em eleições recentes em Rondônia. Um deles ocorreu em 2022, com o senador Marcos Rogério (PL) na sucessão estadual, quando foi derrotado no segundo turno por Marcos Rocha (PSD), que se reelegeu. Em 2024, Mariana Carvalho (UB) venceu com facilidade o primeiro turno, e os 23 vereadores do seu grupo foram eleitos, mas ela foi derrotada no segundo turno por Leo Moraes (Podemos).


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