Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
O Estado capturado: quando o poder serve a si Mesmo
CARO LEITOR, o aparelhamento dos poderes do Estado não começa com malas de dinheiro, mas com a ocupação estratégica de cargos por aliados que trocam competência por lealdade. Quando instituições são capturadas por interesses políticos e locupletar com o dinheiro público, o controle enfraquece, a fiscalização se torna seletiva e os recursos públicos passam a financiar projetos de poder, não políticas públicas. O esquema raramente depende de um único agente: prospera em redes de influência, nomeações, contratos dirigidos, omissões e silêncio conveniente. A corrupção mais perigosa é a que se torna institucionalizada, travestida de normalidade. Enquanto o cidadão paga impostos, grupos organizados disputam o Estado como patrimônio privado. Combater esse ciclo exige transparência, órgãos de controle independentes, imprensa livre e uma sociedade que cobre resultados, em vez de aceitar a impunidade como regra. Em face disso, a coluna de hoje (07) cita os maiores cientistas políticos brasileiros que estudam a corrupção e os seus efeitos no país.
Corrupção
A cientista política Nara Pavão (UFPE) estuda como corrupção, democracia e comportamento eleitoral se conectam. Suas pesquisas reforçam o alerta do editorial da coluna: quando o Estado é capturado por interesses políticos, o julgamento do eleitor torna-se decisivo para romper ciclos de impunidade.
Efeitos
A professora Rita de Cássia Biason (UNESP) analisa as raízes históricas da corrupção e os efeitos da impunidade sobre a democracia. Sua visão dialoga com o editorial: sem instituições independentes, o aparelhamento do Estado tende a se perpetuar.
Redes
O cientista político Alberto Carlos Almeida (UFF e FGV) analisa como patrimonialismo, partidos e máquina pública sustentam redes de poder. Sua leitura reforça o editorial: o aparelhamento do Estado cria ambiente propício para desvios de recursos.
Leniente I
O cientista político José Álvaro Moisés (USP) estuda a corrupção sistêmica abordando como a sociedade convive e é leniente aos desvios. Sua análise converge com o editorial: o aparelhamento do Estado prospera quando a impunidade é aceita como parte da política.
Leniente II
A palavra “leniente” ficou marcada na minha memória durante a Operação Plateias, que levou coercitivamente o então governador, hoje senador Confúcio Moura, à sede da Polícia Federal em Porto Velho. Após depor sobre suspeitas de fraudes em licitações, convocou uma coletiva de imprensa.
Firme
Na coletiva de imprensa, o então governador Confúcio Moura (MDB) afirmou que seria firme na exoneração dos envolvidos, disse não tolerar esquemas de corrupção e garantiu que cada responsável responderia individualmente por seus atos.
Esperado
Falando em Confúcio Moura, ele acenou, recuou e, por fim, confirmou nas redes sociais o que já era esperado: disputará a reeleição ao Senado. O anúncio veio após a confirmação da inelegibilidade eleitoral do ex-senador Acir Gurgacz (PDT) pelo TRE-RO.
Confirmar
Se o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a inelegibilidade do ex-senador Acir Gurgacz no julgamento do dia 9, a tendência é que o PDT lance Ana Gurgacz, esposa de Acir, como candidata ao Senado. Os Gurgacz precisam se conformar que estão fora da disputa.
Intrigando
Continua intrigando ver pré-candidatos ao Governo, Senado e Legislativo peregrinando em busca da bênção do ex-governador Ivo Cassol (sem partido). Pelo retrospecto recente das urnas, o ritual parece render mais fotografias para as redes sociais do que votos na apuração.
Pergunta
A pergunta continua sem resposta: qual candidato apoiado abertamente por Ivo Cassol venceu uma eleição nos últimos anos? Nem João Cahulla (pleito de 2010), nem Ivone Cassol (pleito de 2014), nem Jaqueline Cassol (pleitos de 2014 e 2022), nem Carlos Magno (pleito de 2018) transformaram o apoio em vitória nas urnas.
Atenção
O IHPEC divulgou pesquisa registrada na Justiça Eleitoral (RO-07927/2026), ouvindo 3.197 eleitores em 52 municípios. O retrato do momento merece atenção para candidatos a governador e senador, mas não euforia: pesquisa mede tendência, não decide eleição. As urnas continuam sendo a única pesquisa que vale diploma para eleitos.
Segurança
Na ausência do governador Coronel Marcos Rocha (PSD) e dos sucessores constitucionais, o governador em exercício, desembargador Raduan Miguel Filho, sancionou a Lei nº 6.284/2025, que assegura aos ex-governadores quatro anos de segurança institucional, com seis policiais militares e dois veículos oficiais.
Proteção
Enquanto faltam policiais nas ruas e a população cobra mais segurança, o Estado amplia benefícios para ex-governadores. A Lei nº 6.284/2025 reacende um debate inevitável: a prioridade da proteção estatal deve ser quem já deixou o poder ou quem financia o Estado com impostos?
Desgaste
Com o governador Coronel Marcos Rocha (PSD) em viagem à China e a ausência dos sucessores constitucionais, o comando do Estado ficou com o presidente do TJRO, desembargador Alexandre Miguel. Sobre a mesa, porém, podem surgir projetos capazes de gerar desgaste político, como ocorreu com a Lei nº 6.284/2025.
Consequências
Em governos interinos, uma única assinatura pode deixar consequências permanentes. No período interino de Alexandre Miguel estariam dois editais de alto impacto: um para a privatização da Caerd e outro do DETRAN/RO, prevendo a contratação de educação para o trânsito por 12 meses ao custo de R$ 360 milhões.
Impacto
Privatizar a Caerd no fim de um governo, sem amplo debate público, pode transferir ao próximo mandato uma decisão de impacto permanente. O maior risco é o contribuinte pagar a conta de um processo apressado e com baixa participação social.
Transparência
Se confirmado, um contrato de R$ 360 milhões para educação no trânsito por 12 meses exige mais que discursos: exige transparência absoluta. Ao contribuinte interessa saber se o investimento é proporcional aos resultados ou apenas mais uma conta salgada ao contribuinte rondoniense.
Saúde
Falando em investimentos, o deputado estadual Cássio Gois tem ampliado os aportes para a saúde de Cacoal. Entre as ações destacam-se o apoio à abertura de três hospitais e a destinação de recursos que viabilizaram um ônibus de dois andares para o transporte de pacientes, ampliando conforto e capacidade de atendimento aos pacientes.
Combinado
O ex-deputado estadual Anderson Pereira divulgou nota sinalizando uma possível desistência da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos. Na política, vale o velho ditado: combinado é combinado.
Atendendo
A nota de Anderson Pereira foi dirigida ao deputado federal Mauricio Carvalho (União) e a ex-deputada Mariana Carvalho (Republicanos), que não estavam atendendo e respondendo as mensagens de Anderson em relação a estrutura partidária para pré-campanha.
Sinal
Ao que tudo indica, a conversa surtiu efeito. Após divulgar uma nota sinalizando possível desistência, Anderson Pereira gravou um vídeo reafirmando sua pré-candidatura a deputado federal pelo Republicanos. Nos bastidores, o gesto foi interpretado como sinal de que as pendências internas começaram a ser equacionadas.
Presença
O pré-candidato a deputado estadual Dr. Benedito Alves (Republicanos) marcou presença no tradicional Arraiá do Arigolândia, onde foi bastante cumprimentado pelos participantes. A boa receptividade reforça sua visibilidade e o coloca entre os nomes competitivos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia.
Participou
O prefeito Léo Moraes (Podemos) participou do tradicional Arraiá do Arigolândia ao lado da mãe, Sandra Moraes, cotada para suplência ao Senado, e do irmão, Paulo Moraes Júnior, pré-candidato a deputado estadual. Os dois percorreram o evento cumprimentando o público de mesa em mesa, inclusive este colunista.
Oportunidade
O prefeito Léo Moraes (Podemos) cumprimentou diversas pessoas no Arraiá do Arigolândia, mas não o influenciador Luciano Araújo, que estava ao lado deste colunista. Na política, gestos também comunicam. Talvez ali tenha sido perdida a oportunidade de transformar um crítico em observador da rotina de um prefeito por um dia.
Demandas
O vereador Pastor Evanildo Ferreira (PSD) cobra obras de drenagem, pavimentação e limpeza nas ruas Maué e Borba, no bairro Socialista, após ouvir moradores e levar as demandas à SEINFRA da Prefeitura de Porto Velho. A comunidade aguarda a execução dos serviços.
Sério
Falando sério, o aparelhamento do Estado captura instituições, enfraquece o controle e transforma recursos públicos em instrumento de poder. A corrupção prospera com impunidade e omissão. Romper esse ciclo depende de instituições independentes, imprensa livre e do voto consciente.


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