O Irã sepultou nesta quinta-feira (9) seu ex-líder supremo, Ali Khamenei, no santuário mais sagrado do país, em Mashad.
Após dias de funeral público, com o corpo do aiatolá e quatro parentes sendo exibidos em cortejo pelo Irã e Iraque, o enterro ocorre no Santuário de Imam Reza, sob os olhares de uma multidão de milhares de iranianos, que seguiram pedindo vingança e a morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ali Khamenei foi morto em um ataque dos EUA e de Israel no primeiro dia de guerra, em 28 de fevereiro. Para a cerimônia, as autoridades iranianas preservaram por quatro meses o corpo dele e os de familiares que também morreram no ataque.
A agência de notícias Reuters conversou com alguns dos iranianos presentes ao fim do cortejo fúnebre de Khamenei em Mashhad. Zeynab Mashmool, de 25 anos, falou sobre o retorno dos ataques norte-americanos ao país e condenou o acordo feito por Teerã com o país.
"Para ser honesta, estamos profundamente preocupados com os ataques, mas vamos criar um momento épico. E, como o próprio líder falecido disse em seus discursos anteriores, vamos entrar na luta e dar uma resposta contundente, que os fará (os EUA) se preocuparem com sua hegemonia. Não depende do que ele (Trump) diz. Somos nós que teríamos que renegar este acordo, é ele quem precisa de nós agora", defendeu.
Pessoas em luto carregam uma faixa contra o presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto se reúnem no dia do enterro do falecido Líder Supremo do Irã , o aiatolá Ali Khamenei — Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis
Um clérigo da República Islâmica, Ali Mirshekar, de 27 anos, também condena a tentativa de paz com os EUA:
"Honestamente, não houve transparência alguma para com o povo sobre os termos desta negociação. Na minha opinião chegar a um acordo com os Estados Unidos é um erro, porque os Estados Unidos já haviam demonstrado, mesmo nas negociações anteriores que realizaram conosco, que não estavam comprometidos".
Como o Irã preservou o corpo de Khamenei
Pela tradição islâmica, o esperado era que o funeral ocorresse poucos dias após a morte. No início de março, porém, as autoridades iranianas anunciaram o adiamento da cerimônia por questões de logística e segurança.
O funeral só foi anunciado oficialmente no começo de junho, quase dois meses após o início do cessar-fogo. As cerimônias começaram no sábado (4) e reuniram milhões de pessoas, segundo a imprensa estatal.
Antes do início das homenagens, o porta-voz do comitê organizador, Iman Attarzadeh, afirmou que os corpos haviam sido preservados em conformidade com as normas religiosas.
"Anunciamos que os corpos de nosso imã mártir e de seus familiares mártires, após terem recebido todo o respeito e cuidado necessários, foram preservados até agora em conformidade com as normas religiosas e legais", afirmou.
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Funeral de Ali Khamenei: Milhares de fiéis vão às ruas no Irã
Ele não deu detalhes de como os corpos estavam sendo preservados.
A tradição islâmica proíbe mutilações nos corpos após a morte. Por isso, o embalsamamento químico é proibido ou fortemente desencorajado.
Em entrevista à Fox News, o historiador iraquiano e especialista em contraterrorismo Omar Mohammed afirmou que o mais provável é que o corpo de Khamenei tenha sido mantido em uma câmara frigorífica até o sepultamento.
Segundo Mohammed, a lei islâmica xiita permite, em situações excepcionais, adiar o enterro e preservar o corpo por meio de refrigeração. Ele disse ainda que uma autorização religiosa para abrir essa exceção no caso de um líder supremo seria relativamente fácil de obter.


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