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ORÇAMENTO

Orçamento do Turismo deve ficar aquém do necessário, projeta ministro

Previsão de verbas é de R$ 2,69 bilhões para o setor em 2022

Por Agência Brasil
Publicada em 22/12/2021 às 09h12

O orçamento para o setor de Turismo no Brasil em 2022 deverá ficar aquém do necessário para apoiar políticas públicas importantes de retomada do setor diante dos impactos causados pela pandemia. A avaliação é do ministro da pasta, Gilson Machado Neto, que fez um balanço do ano e discutiu perspectivas para o próximo ano em evento com jornalistas realizado nesta terça-feira (21) na sede do órgão, em Brasília.

“Estamos em uma pandemia. Sempre fica abaixo do que a gente precisa. Espero que [o orçamento] venha sem cortes”, declarou Machado. O Congresso Nacional ainda não aprovou o orçamento de 2022. Hoje, o projeto de lei orçamentária (PLO) foi votado na Comissão Especial do Parlamento e deverá e em seguida o caminho será a apreciação no Plenário.

No relatório final do projeto de lei orçamentária, relatado pelo deputado Hugo Leal (PSD/RJ), estão previstos R$ 674,6 milhões para a sub-função Turismo. No total, foram reservados R$ 2,59 bilhões para o Ministério do Turismo, sendo R$ 699,3 milhões para pagamento de pessoal, R$ 606 milhões para outras despesas correntes, R$ 240 milhões para investimentos, R$ 300 milhões para inversões financeiras e R$ 751 milhões para reserva de contingência.

De acordo com de Gilson Machado, são necessários mais recursos - sobretudo para a ampliar a infraestrutura de turismo no país. “A maior demanda é infraestrutura, como orlas e rampas de acesso ao turismo náutico”, exemplificou.

Recuperação

Na avaliação do titular da pasta, o turismo brasileiro está “se recuperando como nenhum [outro] local da América Latina”. “Você não consegue mais vaga em hotel nenhum. No Rio de Janeiro, hotéis estão todos ocupados. A gente vê o setor de cruzeiros voltando. Companhias aéreas voltando com grande força. [O] setor de eventos é quem ainda está sofrendo com a pandemia”, analisou.

Diante de fatores que dificultam as viagens internacionais, como restrições da pandemia e a cotação de moedas estrangeiras, o intuito do ministério é estimular o turismo interno. Antes da pandemia, cerca de 10 milhões de brasileiros faziam turismo internacional por ano, enquanto o país recebia apenas cerca de seis milhões de estrangeiros.

Muitas pessoas estão passando a buscar destinos dentro do país. “O turista brasileiro está viajando no Brasil e está redescobrindo o país das pousadas do Nordeste, do vinho da Serra Gaúcha, dos barcos hotéis da Amazônia e do Pantanal, dos resorts de grande qualidade”, disse Machado.

Obstáculos

Um obstáculo para o crescimento do turismo interno, ponderou o ministro, ainda são os altos preços das passagens de avião. “É caro viajar no Brasil. O preço da passagem no Brasil é das mais caras do mundo. Temos que lutar para que tenha mais concorrência no setor de companhias aéreas. É preciso fazer apelo para que governadores reduzam o ICMS”, defendeu.

O ministro citou gargalos que contribuem para os preços altos, especialmente o valor dos combustíveis. Enquanto em outros países o peso dessa despesa varia entre 12% e 14% no custo das viagens, no Brasil é de cerca de 30%. Machado citou como ação do governo a mudança das exigências do combustível utilizado, o que barateou o insumo.

Machado afirmou, ao final do discurso, que fatores como o preço dos combustíveis fazem com que o país não tenha um ambiente propício de negócios para as companhias aéreas. Ele citou como exemplo a suspensão dos voos da Ita e lembrou que outras linhas aéreas já encerraram atividades, como Varig e Vasp. Machado pontuou que a Itapemirim já atuava no setor de transporte e a expectativa era que ela possuía “solidez”. Contudo, a firma prejudicou mais de 45 mil pessoas neste fim de ano com o cancelamento de todos os voos.

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