#23 - RD ENTREVISTA | Neidinha Suruí - Candidata ao Senado Federal (PSB)
Publicado em 09/09/2026
Na 23ª edição do RD Entrevista, o jornalista Vinícius Canova recebe Neidinha Suruí, ativista dos direitos humanos e da natureza e candidata ao Senado Federal pelo PSB. Durante a conversa, a convidada revisita a trajetória pessoal, fala sobre a atuação junto aos povos indígenas, comenta os conflitos internos do partido e apresenta as pautas que pretende levar ao Congresso Nacional.
Neidinha relembra a infância em Rondônia, a convivência com povos indígenas desde jovem e o caminho que a levou ao trabalho indigenista. A entrevista passa pela formação em História, pela defesa do meio ambiente e pelas experiências acumuladas ao longo de décadas.
Um dos pontos centrais da conversa é a crise interna no PSB. Neidinha afirma ter sofrido “violência política de gênero” dentro do próprio partido. Ela também questiona a forma como mulheres são tratadas nas estruturas partidárias e critica a desigualdade na distribuição de recursos.
O financiamento da campanha ocupa outro bloco. A candidata afirma que, até o momento da entrevista, não havia recebido recursos do fundo partidário e diz contar com amigos, apoiadores e financiamento coletivo. Neidinha também comenta a doação de R$ 100 mil feita por João Moreira Salles.
A disputa pelo Governo de Rondônia aparece a partir da candidatura de Samuel Costa. Neidinha reafirma que ele é seu candidato enquanto permanecer na disputa.
Expedito Netto também entra na conversa. A candidata afirma que não pretende subir no mesmo palanque que ele e relaciona a decisão à defesa das mulheres e ao voto de Netto no impeachment de Dilma Rousseff.
A relação entre meio ambiente e produção econômica ganha espaço na sequência. Neidinha afirma não ser contra o agronegócio, mas diz combater aquilo que chama de “ogronegócio”, expressão usada por ela para se referir a práticas ligadas a desmatamento, invasão de terras indígenas, unidades de conservação e grilagem.
As ameaças de morte sofridas ao longo da trajetória também são abordadas. Neidinha conta que possui protocolo de segurança, integra um programa do Governo Federal e já recebeu acompanhamento da Força Nacional. Ela afirma que, apesar dos riscos, continua participando de agendas públicas.
A entrevista entra ainda na discussão sobre identidade indígena e trabalho indigenista. Neidinha explica como entende a autodeclaração, fala sobre a importância do reconhecimento pelos próprios povos e relembra a convivência construída ao longo da vida com comunidades indígenas.
A relação com o povo Suruí ocupa outro trecho. A candidata relata como passou a fazer parte da comunidade, fala sobre vínculos familiares, casamento realizado segundo o sistema cultural do povo e projetos desenvolvidos ao lado de lideranças indígenas.
Um desses projetos é um plano de gestão pensado para 50 anos. Neidinha utiliza a experiência para defender políticas públicas de longo prazo e afirma que ações positivas precisam ter continuidade, independentemente de mudanças de governo.
O debate sobre desenvolvimento se amplia para clima, saneamento e recursos hídricos. A candidata afirma que Rondônia vive uma emergência climática e sustenta que economia, preservação ambiental e qualidade de vida precisam ser discutidas de forma conjunta.
A agricultura familiar e os pequenos e médios produtores aparecem na sequência. Neidinha defende maior apoio a esses segmentos e afirma que o desenvolvimento estadual não pode ser pensado apenas a partir dos grandes produtores.
A cultura também ganha espaço. A candidata critica o pagamento de grandes valores a artistas de fora enquanto profissionais rondonienses enfrentam dificuldades e defende maior valorização da produção cultural.
O turismo entra no mesmo bloco. Neidinha afirma que Rondônia possui potencial pouco explorado e cita problemas de logística e o preço das passagens aéreas como obstáculos para quem deseja visitar ou investir no estado.
Na educação — Neidinha defende melhores salários para professores e lembra a própria formação em História. Para ela, a categoria exerce papel central na formação de profissionais de diferentes áreas.
Na reta final, a candidata volta a falar sobre representação política. Neidinha afirma que pretende defender mulheres, povos indígenas, extrativistas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores rurais, moradores de periferia e integrantes da cultura, grupos que, segundo ela, têm pouca presença nos espaços de poder.
Na conclusão, Neidinha apresenta as razões pelas quais decidiu disputar o Senado e pede a confiança do eleitor. A candidata afirma que sua atuação em defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e de diferentes grupos sociais antecede a campanha e diz que pretende levar essa trajetória para o mandato.
RD Entrevista é uma produção dos estúdios Rondônia Dinâmica em parceria com Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.