Publicada em 10/01/2017 - 16.20   /  Autor:  Amazônia.org
Desmatamento da Amazônia atinge 7.989 km², o maior dos últimos quatro anos

Análise mostra que o perfil fundiário e a localização do desmatamento continuam os mesmos nos últimos anos

 

 

Entre agosto de 2015 e julho de 2016 a Amazônia Legal perdeu 7.989 quilômetros quadrados (km²) de floresta, a maior taxa desde 2008. Os dados são do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) que fez um levantamento utilizando os dados oficiais divulgados pelo governo no ano passado.

O panorama mostra ainda que apesar dos avanços com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o perfil fundiário continua o mesmo: as propriedades privadas são as principais responsáveis pela derrubada da floresta, o equivalente a 35,4% do registrado, seguidas por assentamentos (28,6%) e terras públicas não destinadas mais áreas sem informação cadastral (24%).

“Depois de se conseguir reduzir o desmatamento para um patamar médio de 6 mil quilômetros quadrados por ano, observamos primeiro uma estagnação e, agora, uma explosão de 29% em 2016. Isso mostra que o Brasil precisa melhorar as estratégias de responsabilização de quem desmata ilegalmente, mas também estimular e premiar quem faz direito”, explica a diretora de políticas públicas do IPAM, Andrea Azevedo.

Dinâmica de desmatamento nos últimos 13 anos no bioma amazônico. Elaboração: IPAM; fonte dos dados: Prodes/INPE

Dinâmica de desmatamento nos últimos 13 anos no bioma amazônico. Elaboração: IPAM; fonte dos dados: Prodes/INPE

Geografia do desmatamento

O desmatamento aumentou nos estados de Amazonas (54%), Acre (47%) e Pará (41%); em números absolutos, os estados que mais desmataram foram Pará (3.025 km2 ); Mato Grosso (1.508 km2 ) e Rondônia (1.394 km2 ), compreendendo juntos 75% de todo desmatamento registrado em 2016.

Além disso, o ranking dos dez municípios que mais desmataram mudou pouco nos últimos anos. Dos dez municípios que mais desmataram em 2016, cinco estão localizados no Pará, dois no Amazonas, dois em Rondônia e um em Mato Grosso; todos apareceram no ranking de “dez mais” nos últimos quatro anos.

Puxadinhos

desmatamento

O desmatamento de áreas com até 30 hectares têm sido uma tendência, em 2016 respondeu por 57% do cômputo geral. Segundo o panorama do Ipam isso indica a “tendência do puxadinho”, ou seja, pequena área desmatada anexa a uma propriedade.

Segundo o documento essa estratégia é utilizada por médios e grandes proprietários de terras para driblar a fiscalização, já que a fiscalização prioriza áreas de grandes desmatamentos, além disso, o CAR tem sido pouco utilizado como ferramenta de fiscalização de baixo custo.

As áreas sem informação apresentaram 17% de acréscimo na taxa de desmatamento em 2016 em comparação com 2015. Uma hipótese forte para explicar esse fator são propriedades privadas que desmatam antes de entrarem no CAR – cujo prazo final de adesão foi estendido a maio de 2017. Outra hipótese é que sejam áreas com conflitos fundiários e grilagem em terras públicas não identificadas.

Leia o Panorama sobre o desmatamento na Amazônia em 2016