Publicada em 26/05/2011 - 10:19
Sem partido, sem número, nome ou posição: eleja a sorte!

Por: Vinicius Canova


Para ter segurança, paz, saúde, educação e qualquer outra coisa que se possa esperar de políticos, opte sempre por eleger a sorte! Explico: vários deputados federais e outros políticos de frentes religiosas, os chamados “pró-família”, além dos que andam com quaisquer outras bandeiras como a defesa dos direitos LGBT’s ou até mesmo os ambientalista só conseguem mesmo, é enxergar o próprio umbigo.

Enquanto se discute, de forma ferrenha assuntos que já deveriam ter sido apreciados e decididos, o povo passa fome e quando é feliz – sim, você não está lendo errado–, tem a chance de morrer rápido, sem precisar sofrer.

E quem passa por tudo isso são os que, alheios a todas essas pequenas discussões que nunca chegam a nada, vivem em lugares quase inóspitos do país, e se vêem obrigadas a continuar morando à mercê de condições subumanas; enfrentando doenças de todos os tipos, acidentes de trabalho ou qualquer outro problema que de uma forma ou de outra, lhes trazem o pior da vida, que é simplesmente “não viver” – ou se preferir: o desprezo de estar vivo. Essas pessoas não têm pelo que lutar, porque afinal de contas, elas precisam escolher entre matar a fome ou fazer passeatas, curar suas doenças ou fazer greve, trabalhar ou morrer: simples assim!

Parece que o único jeito de viver esperando que haja, em algum momento da vida – mesmo que muito efêmero – os meios eficazes para sobreviver e, quem sabe se sobrar um tempinho, ser feliz, seja contando mesmo com a maldita sorte. Aquela mesma sorte que jamais sorri pra mim ou pra você, mas que perambula diariamente nas residências dos grandes barões brasileiros.

Para alguns de nós, a política, palavra maravilhosa de conteúdo extenso, filosófico e extremamente complexo, agora tem apenas um significado: nada!

É por isso que num estado democrático de direito, sendo um país laico e liberal é que a discussão do respeito e os direitos concedidos – ou deixados de ser – aos homossexuais é um absurdo! E só estou dando um exemplo, por ser uma das discussões mais recentes. O que sabemos é que, todas pequenas faíscas de posição e oposição (não só políticas) tendem a se estender, morosamente, sem uma resolução eficaz. O Brasil teria potencial econômico para, muito em breve (resguardadas as devidas proporções de tempo) ser chamado de país de primeiro mundo, mas não vai acontecer enquanto na mesa das grandes discussões estiverem assuntos batidos e picuinhas de cunho pessoal. Respeito deveria ser inerente a todos os seres humanos e jamais um objeto de debate. Pra quê discutir o indiscutível? Ora, não somos chavistas chauvinistas, não?!

Os gays querem ser ouvidos, os maconheiros querem fumar livremente, os operários precisam de atenção, os funcionários públicos necessitam de aumento, os sindicatos querem ver atendidas as suas reivindicações e os políticos precisam se digladiar. E enquanto isso, num pedacinho de terra lá em Centro do Guilherme, no Maranhão, as pessoas só precisam mesmo é comer. Haja sorte!

AUTOR: VINICIUS CANOVA
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