Por: Vinicius Canova
Não há como ter a dimensão do que são cem mil pessoas aglomeradas num mesmo espaço até que você faça parte da experiência. Ver pela televisão, por mais câmeras que estejam captando por todos os ângulos em alta definição não dá a ninguém metade da compreensão de como seria estar ali, parado ou agitado, no meio da multidão, ouvindo os clássicos do Rock n’ Roll. Por isso posso falar com propriedade sobre os pormenores, pois estive lá me segurando nas minhas próprias câimbras.
Houve e ainda há críticas negativas? Claro! Se de dentro da festa já se pôde ouvir em alto e bom som frases como: “ – Sai daí do palco, você não merece estar aí!” ou “ – Vai se f%¨$ Axl, temos que trabalhar amanhã e você atrasando o show”, imagine quem está de fora, que se utiliza do ‘achismo’ para salientar superficialmente suas impressões nada sutis sobre algo que nem passaram perto.
Para ter idéia, a minha ‘ficha’ só caiu quando um dos vendedores ambulantes que ficavam na parte de fora das catracas de entrada gritou:
“ – Compre a camiseta do “EU FUI”, porque “EU VOU” já foi”, e realmente, já tinha ido há muito tempo e eu estava lá acompanhando um número incalculável de pessoas a curtos passos animados até a entrada.
Ainda tenho que dizer que fiquei orgulhoso de ver os rondonienses, aliás, foi mais do que o simples sentimento de orgulho, foi felicidade sublime, satisfação pessoal e coletiva; o riso no canto do rosto em ver que várias bandeiras do Estado de Rondônia circulavam pela Cidade do Rock. Um dos amigos que esteve comigo na Cidade Maravilhosa exprimiu de forma espetacular a minha observação:
“ – De Rondônia pra cá são mais de três mil quilômetros de distância. Para nós é uma vitória estar aqui no Rio de Janeiro num evento tão grandioso como este”, enfatizou. E ele tem razão: foi uma vitória de muitos rondonienses. A bandeira do Estado brilhou para todo o País e o mundo nas transmissões televisivas em diversos shows durante todo o festival, provando de uma vez por todas que nós temos sim uma chama patriota em nossos corações.
Vou pedir perdão antecipado pelo próximo ponto a ser comentado: a burrice. Muita gente foi assaltada durante o evento; perderam documentos pessoais, carteiras e até os ingressos. Como assim ingressos (no plural)? – você me questionaria. Bem, um ‘lesão’, daqueles bem xaropes mesmo, resolveu levar em um só dia todos os ingressos do Rock in Rio para, pasmem, protegê-los. Saldo: um ‘bandidão’ sortudo surrupiou todos e deve ter curtindo muitos shows na faixa.
Também teve a participação dos evangélicos aqui do Rio de Janeiro que, sem ter muito que fazer durante a semana resolveram expor faixas por diversos pontos da cidade ironizando o slogan do Rock in Rio, com uma frase mais ou menos assim:
“ – Por um mundo melhor só Jesus Cristo”. Beleza, todos nós temos o direito a liberdade de expressão, de criticar, de dar nosso veredito sobre ‘n’ tipos de assuntos, mas gastar tempo e dinheiro tentando passar a imagem de que as pessoas que estão participando de uma celebração tão mística e enérgica estão do ‘lado negro da força’ já é demais!
A grande verdade é que eu, como espectador, só tenho elogios apesar de todo o cansaço físico e mental. A estafa pega de jeito quem não se preparou para percorrer 800 metros a pé de ida e mais 800 de volta só no trecho em que os ônibus largavam e pegavam os passageiros (fora mais dois quilômetros do terminal em que descíamos até o apartamento na Barra). Fiquei com meus companheiros Leandro César, Bia Teixeira, Joeliza Lamarão e José Roberto Junior até o último segundo do show do Guns n’ Roses – depois de doze horas em pé – abaixo de chuva, depois de uma hora e meia de atraso e, ainda assim, saímos todos rindo da vida, sentindo a alegria fluir pelos nossos poros enquanto os fogos de artifício que saíam do Palco Mundo na Cidade do Rock anunciavam o fim do festival. E eu os agradeço, sem eles absolutamente nada disso seria possível, perdi alguns amigos para criar irmãos – e é isso mesmo que eles são.
Fora isso, nada mais a comentar. Só sei de uma coisa: farei de tudo para ir em 2013 e em qualquer outra edição que estiver ao meu alcance. O recalque dos comentários sem sentido e críticas vazias eu deixo para quem ficou no sofá reclamando do inicio ao fim, sem piscar, sem trocar de canal e, também, sem querer desligar a televisão.
Vinicius Canova Pires – Do Rio de Janeiro, 04.10.11 – 23h34min