Publicada em 16/09/2011 - 09:35
Por que falar?

Por: Vinicius Canova

Qual é o preço da indignação? Será que todos nós podemos realmente a todo o momento usufruir de pleno gozo da democracia? Os políticos brasileiros roubam o nosso dinheiro. Eles roubam as nossas crenças. Roubam as nossas convicções. Roubam a nossa paciência. Roubam a nossa vontade. Roubam a nossa disposição para a luta e também roubam nossos votos, todos de mãos cheias nos dizendo que somos livres para ir aqui e acolá, defender a direita ou a esquerda, e, em alguns casos, até de não ter nenhuma opinião sobre nenhum assunto. Justo, justíssimo – na verdade, é isso mesmo que os facínoras esperam.

Observamos que mesmo com a expansão das vitrines televisivas e radiofônicas, também em outros locais em que podemos opinar – nas mídias sociais, por exemplo –, as mudanças e necessidades de que todos nós carecemos não acontecem; não são executadas.

Basta andar nas ruas de Porto Velho para sentir que absolutamente nada do que se repete diariamente em termos de lamúrias reflete, conscientemente, naqueles que deveriam nos representar com atuação ferrenha e desprendida de ideologias. Não é preciso nem explicitar, por exemplo, o que acontece aqui quando cai uma chuva um pouco mais forte, lembramos de um jargão publicitário: “ – Alô, estamos nadando de braçada!(ADAPTADO).

Somos, para tanto, reféns do mercado da política. Explico: estamos a um ano das eleições que irão dar posses a novos prefeitos – outros serão mantidos – e vereadores em todos os municípios do Brasil.

Os partidos já estão se movimentando, traidores de siglas partidárias já migram para outras células de atuação – onde, claro, terão maiores benefícios pessoais – e até novos partidos estão sendo criados.

A pluralidade partidária, que deveria também ser um dos maiores símbolos desta democracia plena e digna que nos oferecem em informes publicitários pago com dinheiro público, também é uma fachada de intenções levianas. Políticos jamais rezam conforme a cartilha de sua sigla – abre aspas às pouquíssimas exceções.

Em matéria de corrupção, já é de conhecimento notório que os que ‘rodam’ são os bragres, peixes de menor expressão em grandes esquemas – simples bodes expiatórios caindo em detrimento dos grandes regentes dessa grande orquestração da malandragem.

Quando vemos esse panorama nos cercar diariamente, tomando muito tempo espaço em nossas preocupações e pensamentos é que me pergunto: por que falar?

Não fosse ter visto as manifestações dos universitários da Unir em frente à sede administrativa da universidade, talvez me resignasse e simplesmente ficasse observando tudo acontecer, sem poder de reação.

Corroborando com o meu argumento, o jornalista Domingues Júnior, da TV Candelária, disse em seu programa diário Tempo Real: “As palavras tem que ter vida!”. Nesse caso, o apresentador se referia as repostas que nos devem os políticos, secretários de Estado e Município e prestadores de serviços – sejam lá quais forem.

Concordo plenamente com o nobre colega, mas vou além: pessoas que exigem os seus direitos, que sabem o que lhes é devido, e, principalmente, que sentem a real necessidade de fazer mudanças já descobriram o porquê de fazer perguntas, mas também sabem a importância de se entregar pelas respostas. Esperar por ela sentado, simplesmente não dá certo.

AUTOR: VINICIUS CANOVA
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