Publicada em 13/10/2011 - 21:54
Censurai os censuráveis, mas não espere calar os de gogó afiado

Por: Vinicius Canova

Uma coisa engraçada no povo brasileiro – a maioria, pelo menos – é o aclamado senso de justiça, de proteção aos seus pares, de resguardo sentimental e respeitabilidade ao próximo. Lindo! Maravilhoso! – e tantos outros adjetivos que possam exprimir o ‘cuti cuti’ mais realçado. Andei lendo comentários por aí que dizem que estão romantizando o discurso sobre a censura, que para tudo deve haver limite e todos os outros eteceteras que envolvem a questão.

 O brasileiro em particular gosta muito de falar, é impressionante! Fala pessoalmente, no telefone, nas redes sociais, por telegrama, carta e até por sinal de fumaça – Céus, como brasileiro fala!  Fala tanto que exagera na hora de definir o que pensa poder ou não poder dizer em ‘n’ circunstâncias.  


 Na verdade, o problema começa exatamente na hora em que o discurso dos outros começa a incomodar. ‘Aquilo ali foi de um mau gosto tremendo, espero que ele receba o que merece e nunca mais volte a se pronunciar’ – um contrariado diria. Ninguém gosta de ser contrariado, certo? Certo. Mas a opinião é justamente isso, ela se contrapõe as centenas, milhares de outras opiniões que podem se aglomerar ou se repelir de acordo com o que for conveniente para quem a profere. E aí, para aonde é que isso vai? Lugar algum, eu digo.


 O que não me entra na cabeça é o porquê do Brasil ser um país tão corrupto, sujo e cheio de porcarias televisivas, radiofônicas e cibernéticas já que a nossa população é tão boa em julgar o que é certo e o que é errado e está sempre disposta a dar pitaco na hora de resolver os problemas. Quando um humorista dá uma declaração compreendida por infeliz é um escarcéu pra tudo quanto é lado: “ – Deportem o infeliz!”.


 Agora, o mais engraçado é que quando os políticos roubam dinheiro nosso de merenda escolar pra crianças, de remédios para idosos, de transporte digno, enfim, de tudo o que deveria ser revertido em benfeitoria a todos nós, NADA! Só revolucionáriozinho de internet fazendo elucubrações vagas, dizendo que o panorama é uma vergonha, que o Brasil é uma porcaria, que os políticos são bandidos, mas ninguém se mobiliza de verdade para derrubá-los da forma em que derrubam um humorista por um comentário besta.

 
Uma pena essa inversão de valores tanto nos lobos velhos quanto nos jovens: dar moral para uma mesquinharia e esquecer do bicho hospedeiro que lhes suga diariamente um pouco de vida.


 Óbvio que se eu não disser serei mal interpretado, então vou logo falando: não, eu não gostei da piada do cara. Achei imbecil, idiota e inoportuna, mas Voltaire pode dizer por mim o que eu penso sobre: " – Posso não concordar com nada do que você diz, mas vou defender seu direito dizê-lo até a morte", ponto final.

 AUTOR: VINICIUS CANOVA

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