Você provavelmente já ouviu alguém dizer à outra pessoa: ‘ – Você é um ‘banana’ mesmo!’. Pois é. Banana usada como adjetivo e não como substantivo significa dizer que o sujeito é apalermado, passivo, ‘avoadão’ das idéias e coisa e tal. Os cidadãos comuns e figuras públicas com tal denominação fazem parte de uma nova civilização emergente: o incrível mundo de Bananópolis, onde, claro, todos são a forma exata da pseudobaga.
Em Bananópolis as pessoas são felizes e abobadas, acham que não têm problemas; vivem um cotidiano medíocre, mas suas ações são suficientes para acalentar os seus corações vazios e suplementar a vida arraigada por diretrizes convictas de moralidade, fé e perseverança – eles se acham, sem exceção, os paladinos justiceiros de seu próprio meio - e, claro, do dos outros.
Os bananas crêem que as ações ruins de seus pares serão, em determinado momento, castigadas pelo Rei Banana que, pautado em ética e dogmas profusos, detém a chave mestra da sabedoria e da verdade.
Já os outros Bananas, aqueles que em determinado momento decidiram que o Rei Banana nada mais é do que uma invenção reconfortante de ‘guia-de-sei-lá-o-quê’, são execrados do convívio do resto do povo bananês. Pior ainda: estão, de acordo com o ensino que prega uma maioria, fadados a um mar eterno de farinha láctea fervilhando e acabarão servidos num prato fundo de mingau. Ao imaginar a cena dos blasfemos queimando, os cidadãos que crêem no Rei Banana têm sempre um sorriso malicioso no canto da boca, como se eles mesmos, numa espécie de lapso antropófago, é que fossem saborear os restos mortais dos Bananas pecadores.
Triste destino este traçado para esses pobres Bananas que também se acham melhores do que os outros Bananas munidos de fé porque conseguem provar por A + B que ‘isso é aquilo’ e ‘aquilo é isso’. Os Bananas descrentes, que tem a seu favor sua ciência, a física e química, querem explicar, a todo o custo, o surgimento das galáxias, dos planetas, do sistema solar, enfim, do universo inteiro.
Mas, enquanto esses dois grupos de Bananas deflagram guerra um contra o outro, um terceiro – e o mais importante – conglomerado de Bananas está comendo pelas beiradas e lhes tirando o que têm de melhor: a cidadania bananesca. Enquanto discussões pífias são levadas a sério, num enfrentamento homérico, o terceiro grupo – que rege politicamente os demais – vai garimpando a área e lhes tirando todo o potássio, vitamina A, vitamina C e as fibras.
Eles sabem que seja ele um moralista, seja um guerrilheiro da fé ou um simples cidadão Banana sem maiores pretensões, tudo o que se discute é baseado em conjectura pura e simples. Infelizmente eles – sejam lá de qual grupo forem – não têm pernas para ir às ruas protestar por suas vidas e estão ocupados demais com debates calorosos que nada têm a acrescentar à Bananópolis. Mas, repito: são extremamente felizes com todas as suas convicções e não se estremecem pelo que acontece ao seu redor.
Felizmente nós não temos nada a ver com os Bananas. Estamos engajados politicamente, não discutimos acerca de picuinhas e respeitamos – e muito – a opinião alheia. Qualquer minúscula semelhança do mundo real com Bananópolis é extrema e exagerada coincidência.