RD Entrevista – Dr. Mauro Nazif, um impeachment por ano de mandato



Texto.:
Vinicius Canova
Fotos.: Gregory Rodriguez

Porto Velho, RO – Na visão dele, os quase 30 anos de vida pública o credenciam a responder, sem titubear, qualquer tipo de pergunta. Aliás, o mais recente ex-prefeito de Porto Velho Dr. Mauro Nazif (PSB), sabatinado desta 4ª edição de RD Entrevista, informa à equipe que seria ainda melhor se o bate-papo fosse ao vivo.

“Eu gosto é ao vivo, quando o ‘cara’ não tem tempo nem pra organizar o raciocínio direito. Não é pra qualquer um”, brinca.

Bem humorado, tira sarro dos próprios percalços vivenciados em quatro anos de gestão. Morre de rir ao relembrar, por exemplo, o Natal com pneus empilhados na Capital:

“Como eu apanhei, cara! Meu Papai do Céu, como eu apanhei”, relata.  

Na seção publicada exclusivamente pelo jornal eletrônico Rondônia Dinâmica Nazif ainda fala sobre pedidos de impeachment; relação com vereadores; o porquê de não aparecer em eventos públicos; quando surgiu o costume de falar em terceira pessoa; condução coercitiva pela Polícia Federal; CPI dos Shows e muito mais.


"Instalei primeira lâmpada em Porto Velho com nove meses de mandato", diz Nazif 
Foto.: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)


Perfil e trajetória

Mauro Nazif Rasul nasceu em Barra do Piraí, Rio de Janeiro, no dia 30 de janeiro de 1959. Aos 58 anos, mora em Rondônia, é casado e pai de três filhos. É filho de imigrante e exilado palestino Jamil Nazif Rasul e Uadia Simão Rasul. Estudou inicialmente nas instituições de sua cidade natal e, posteriormente, cursou Medicina na Fundação Osvaldo Aranha, na cidade de Volta Redonda entre 1978/83. Na política, foi vereador em Porto Velho entre 1989 e 1993 e deputado estadual de 1993 a 2003. Em 2002, foi candidato derrotado ao Governo do Estado; em 2000, concorreu pela primeira vez à Prefeitura de Porto Velho. Em 2004 e 2008 voltou a concorrer, sendo derrotado nas duas ocasiões pelo ex-prefeito Roberto Sobrinho, do PT. Em 2006, foi eleito deputado federal pelo PSB, sendo reeleito em 2010 para um segundo mandato. Renunciou ao parlamento para disputar a Prefeitura de Porto Velho mais uma vez. Em 2012, finalmente, foi eleito prefeito. Tentou a reeleição no ano passado, mas perdeu ainda no primeiro turno do pleito que sagriu Dr. Hildon Chaves (PSDB) o novo prefeito de Porto Velho.



Promessa inicial

Rondônia Dinâmica  – Dr. Mauro, antes de ser prefeito e ainda durante a campanha em 2012, o senhor apareceu em uma das publicidades eleitorais dizendo: “Eu vou melhorar a sua qualidade de vida já no primeiro dia de meu governo”. Depois de quatro anos de gestão, acredita ter melhorado a qualidade de vida do cidadão de Porto Velho?

Dr. Mauro Nazif – Olha... Eu falo pra você o seguinte: quando nós fomos eleitos lá em 2012 para 2013... Lá para outubro de 2013 por aí, tínhamos um mês e meio até tomarmos posse. Ali aconteceu uma coisa muito inesperada tanto para nós da vida pública quanto para os cidadãos de Porto Velho. Houve uma operação muito forte do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) na cidade. E trancaram toda a cidade de Porto Velho! Muita gente presa, tudo paralisado... E aquilo pegou a gente assim de um jeito que você não tinha mais nada no município: EMDUR [Empresa de Desenvolvimento Urbano] fechada, a SEMPRE [Secretaria Municipal de Projetos e Obras Especiais] – onde há os grandes projetos – paralisada, então, secretarias sem um maquinário sequer. Por quê? Porque tudo em Porto Velho era alugado! Quando houve aquela operação, Porto Velho ficou sem nada! Aí eu lembro que, quando assumi, com dois meses de mandato, e relembro até de maneira, vamos dizer assim, na boa, com dois meses de gestão eu já havido quatro ‘funerais’ a meu respeito. Falava: “Aqui jaz Mauro!” [risos]. Dois meses de gestão! “Aqui jaz Mauro”. Pô, uma cidade que não tinha máquina,  que não era iluminada e estava toda comprometida... Né? Conseguimos superar esses obstáculos e, ao final de um ano, compramos o maquinário para a cidade. Porto Velho hoje tem mais de 300 máquinas em seu patrimônio. Então, quer dizer..., conseguimos avançar.  A primeira lâmpada em Porto Velho eu troquei com nove meses de gestão! Primeira lâmpada que eu pude trocar em Porto Velho foi em setembro de 2013. 

RD – Isso porque a administração estava ‘engessada’?

Dr. MN – Estava tudo! Tudo paralisado, como eu disse. A EMDUR fechada, inclusive pediram pra que eu botasse, comprasse uma caixa de cadeados e botasse lá porque ali não tinha mais jeito. Conseguimos salvar a EMDUR e a cidade, quando entregamos, entregamos praticamente toda, toda iluminada! Então, quer dizer, foram muitas dificuldades. Mas eu não me apavoro com as dificuldades, não. É que nem quando você pega um paciente grave. Quando você pega um paciente grave lá na UTI não pode se apavorar. Tem de saber trabalhar pra tirar o paciente daquela condição. A mesma coisa é na vida pública: e acredito que fizemos um trabalho inovador em Porto Velho. E o que foi? Quais são  os grandes problemas da Capital? Eu diria que é o saneamento básico. O que você entende de saneamento básico? Você tem a questão da drenagem; do asfalto; da água e do esgoto. A água e o esgoto estão na competência do Estado. Então não vou entrar nesse mérito aqui, não. As questões da drenagem, dos córregos e do asfalto, o que começamos a fazer numa cidade que só vivia em alagação? Começamos a trabalhar algo que as pessoas não veem. O que está embaixo da terra, que é a drenagem. Isso não dá voto. É o mais caro e não dá voto. Se eu pegar aqui o que nós botamos debaixo da terra e revertesse em asfalto eu iria fazer três vezes mais asfalto do que nós fizemos. Mas com certeza eu, como médico, sabendo da questão do saneamento, pensei: “Vamos mudar isso”. Então nós tivemos, por exemplo, a questão da malária como resultado prático de nosso trabalho. Quando assumimos a Prefeitura de Porto Velho, a Capital tinha, em  2013, treze mil casos de malária. Quando entregamos havia pouco mais de dois mil e oitocentos. Então a malária, que era um foco, deixou de ser. Preparamos a cidade para receber a rede de esgoto. Então, isso é qualidade de vida!



Sonho ou pesadelo

RD –
O senhor costumava dizer que seu sonho era ser prefeito de Porto Velho. Agora, terminado o mandato, diria que o sonho foi realizado ou se tornou pesadelo?

Dr. MN – Eu de maneira nenhuma encaro como pesadelo, ao contrário. Se tem uma pessoa que é grata sou eu. Enfrentamos muitas dificuldades, como dissemos anteriormente. Ao final do mandato eu disse ao prefeito Hildon durante a transmissão do cargo: “Prefeito, guarde o seguinte: você está presenciado aqui um fato histórico!”. Isso no dia primeiro de janeiro deste ano, agora! Nunca um prefeito fez transmissão de cargo  para outro em Porto Velho. Ao final de uma gestão, os que assumiram, como  eu assumi, pegavam as secretarias todas ‘a Deus dará’. Mostramos servidores em dia, fornecedores em dia, praticamente todos em dia. Deixamos dinheiro no caixa. E deixamos Porto Velho estabilizada! O País está quebrado! O País está quebrado... E nós conseguimos fazer isso: entregamos uma EMDUR totalmente aberta para fazer os seus serviços com a cidade iluminada.  Mais de três mil km de estradas vicinais feitos aqui em Porto Velho, que tem algo em torno de 5,5 mil, 6 mil km de estradas vicinais. Então nós conseguimos fazer isso. Só posso agradecer. Só agradecer... Dificuldades existem para que possam ser superadas. Então, meu amigo, é só alegria! 

RD – Ainda sobre 2012, já eleito, o senhor concedeu entrevista ao CQC, programa nacional veiculado pela Rede Bandeirantes, falando sobre os viadutos de Porto Velho. Na ocasião, disse lamentar o fato de as obras não terem sido concluídas porque, segundo o senhor mesmo, o recurso estava em caixa. Seguiu: “Cabe a nós fazermos a entrega disso”. Por que os viadutos não foram concluídos?

Dr. MN – Porque o governo federal não repassou o dinheiro. Você não faz obra sem dinheiro! Essa obra é do governo federal. Retomamos o pedido para o município de Porto Velho, porém o  dinheiro como teria de ser trabalhado não aconteceu. Fomos várias vezes em Brasília. Sempre nos informaram que não tinha orçamentário, que iriam colocar no orçamentário... Então sem dinheiro e sem recurso você não faz obras. E por que eu queria que Porto Velho tocasse  essas obras e não o governo federal? Porque aqui nós poderíamos pegar e fazer três licitações. Cada uma tocaria um ponto: uma para desenvolver o Trevo da Jatuarana; outra para o Trevo do Roque e a última o da Campo Sales. Tudo isso em vez de ficar nas mãos de uma única empresa. Agora, infelizmente, o governo federal não cumpriu o compromisso com o Município de Porto Velho. Na nossa gestão, não repassou o recurso.

RD – Mas na entrevista o senhor disse que os recursos existiam e que estavam em caixa. Por que o senhor deu aquela declaração?

Dr. MN – Os recursos existiam e foram pagos pela gestão anterior. E aí [a gestão anterior] acabou se envolvendo ‘naquilo tudo’, inclusive nas operações e situações que já explanei. 

RD – Mauro Nazif, além de médico e antes de ser prefeito, foi vereador por Porto Velho; deputado  estadual de Rondônia e parlamentar federal eleito e reeleito. O que, na sua visão, se extrai de melhor em suas atuações políticas em todos esses âmbitos legislativos?

Dr. MN – Tivemos várias lutas como vereador, deputado estadual e federal. E tudo isso tenho demonstrado pelas votações.  Cada votação que recebi  acabou sendo mais expressiva que a outra. Eu poderia te resumir assim, de maneira bem sucinta, bem sucinta mesmo, algumas ações. Primeiro, como deputado estadual, destaco a luta pelo fim da aposentadoria dos deputados estaduais. O que significa isso na prática? Na prática, significa – e isso foi em 1995 –uma economia/ano para o Estado de Rondônia em torno de R$ 25 milhões. Se todos os deputados estaduais tivessem se aposentado desde 95, e você precisava de apenas um mandato para isso, teríamos um gasto de R$ 25 milhões a mais. Com este dinheiro dá pra fazer muitas coisas no Estado. Então essa luta foi muito bonita. Tentaram ‘me fazer’ dentro do Plenário da Assembleia, mas graças a Deus conseguimos. Outra luta, onde era considerado um demagogo, foi a questão dos demitidos.

RD – Do governo Bianco?

Dr. MN – Dos demitidos lá no ano de 2000. No dia 17 de janeiro saiu a relação dos demitidos e eles retornaram em junho de 2003. Então foram três anos e seis meses de muitas lutas. Muitas lutas mesmo. Muito choro, muita gente que veio a falecer. Muita gente que acabou tendo transtorno mental. Eu falo porque como médico era muito visitado e acompanhei muitos desses casos. Mas eu falo que valeu a pena. Valeu a pena. Conseguimos vencer essas lutas graças a Deus. E hoje temos a alegria de ver esse povo trabalhando. E agora, como deputado federal, na apresentação da PEC da Transposição, conseguimos trabalhar o texto, melhorá-lo. Asseguramos a transposição dos servidores do Estado. Do município, eu como prefeito em Porto Velho, consegui transpor todos os servidores para os quadros da União. O Estado ainda não conseguiu, mas no Município nós conseguimos.

Doutor Mauro em teceira pessoa

RD – De onde vem o costume de falar em terceira pessoa, doutor?

Dr. MN – Ah,  acho que aquela questão de falar: “Eu faço isso. Eu faço aquilo” é incômoda. O 'eu' é muito personalista. Ninguém faz nada sozinho. Ninguém faz nada sozinho...



RD – Proponho um exercício de autocrítica, doutor. O que o senhor admite ter faltado na sua gestão enquanto prefeito de Porto Velho?

Dr. MN – Vejo que muitas ações que nós fizemos não foram tão destacadas. Teve coisas a mais que poderíamos ter feito? Sim! Mas vejo que a questão da divulgação foi o grande problema. Se eu chegar para a população e perguntar: “Vocês sabem que Porto Velho é uma das poucas capitais do País que tem a escola bilíngue?”. Pouquíssimas pessoas irão saber. “Vocês sabem que Porto Velho tem escola em tempo integral?” Poucos vão saber. “Sabem que Porto Velho foi reconhecida entre as cinco capitais mais transparentes perante o MPF?”. Poucos sabem. Vejo que a questão da divulgação foi o erro. Não responsabilizo a população porque não teria como saber sem chegar a informação. Se não chegar, não tem a obrigação de saber. E não foi  só no mandato de prefeito, não. Nos outros também.  Sempre tive uma dificuldade maior na questão da divulgação. 

RD – Embora tenham sido situações diferentes, parece que encerramento de gestão em Porto Velho é sinônimo de problemas para os prefeitos. No caso de seu antecessor, foi o afastamento do cargo; já em relação ao senhor, os desdobramentos da operação Imprevidência desencadeada pela Polícia Federal no IPAM. Como o senhor recebeu a notícia sobre as investigações e de que maneira elas afetaram seu final de mandato?

Ação da Polícia Federal ao final do mandato

Dr. MN – Eu vejo assim essa questão do IPAM... O que aconteceu no IPAM? Nada! Por que não aconteceu nada? Porque desde o inicio da nossa gestão sempre coloquei perante o presidente do IPAM e os demais trabalhadores: não quero que faça nenhuma aplicação. E não houve aplicação. Diferentemente da gestão anterior, e eu não quero entrar na questão anterior, não quero mesmo, mas lá eles aplicaram R$ 78 milhões. E o IPAM, desse total, agora  tem R$ 38 milhões.  Houve uma perda de R$ 40 milhões. Na nossa gestão não houve aplicação. Então a ação que aconteceu vejo que foi de maneira inócua porque não houve nada. Se fosse para pegar o crime, você pegaria e faria na hora ação. E não teve nada disso... 

RD – O senhor não costumava aparecer publicamente durante sua administração, inclusive em eventos do próprio município. Por que isso ocorria, Dr. Mauro?

Dr. MN – Vou te falar o seguinte: eu dificilmente comparecia aos eventos de inauguração. Mandava os secretários. Agora, todos os enfrentamentos eu estava na frente. Pegava, se tinha uma greve na Educação, quem estava na frente era eu. Se tinha chamada escolar e havia problemas, quem estava na frente era eu. Se tinha problema na Secretaria de Transporte com coletivos, urbanos, taxistas... Quem estava na frente era eu! Então os problemas, o Dr. Mauro estava na frente. Quando era para inauguração, dificilmente vocês me viam. Eu falava: “Secretários, vão lá, inaugurem, entreguem e parabenizem a comunidade”. Agora, todos os enfrentamentos, não sei se sou um cara muito acostumado a lidar com enfrentamento, por exemplo de famílias despejadas... E quantas famílias não foram despejadas? Nunca deixei de ir à linha de frente para conversar com todas essas situações de dificuldade. Assim que penso a vida pública. 



CPI dos Shows, impeachtments e possíveis negociatas

RD –
Falando em eventos, o senhor teve problemas relacionados à FUNCULTURAL. Alguns culminando, por exemplo, com a malfadada CPI dos Shows. Na época, informações deram conta de que o senhor teria feito um acordão com vereadores visando frear a comissão, inclusive loteando cargos em sua administração. Essas informações são verdadeiras, Dr. Mauro?

Dr. MN – Eu lembro... Eu gosto de trabalhar muito dando exemplos. Lembro quando... Oras, eu tive quatro pedido de impeachment. Eu tive quatro pedidos de impeachment, cara! Você sabe o que é isso? [risos] Eu ter um mandato com quatro pedidos de impeachment... Me questiono: “Será que eu sou ladrão? Será que eu sou bandido?”. Eu vou relatar um deles, porque foi o que chamou mais a atenção e irá servir de exemplo para os outros e também à pergunta. Houve um dos pedidos que já passava da fase da CPI e coisa e tal com andamento mais avançado. E aí eu estava despachando lá na SEMPLA [Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão] quando chegaram e me falaram: “Mauro, você vai ter três votos para não ser cassado. De vinte e um você vai ter três contrários à cassação”. Isso foi na noite que antecedeu a votação. E aí foram conversar comigo. Falei: “Pessoal, vou falar um lance pra vocês. Se acharam que eu deva ser cassado, me afastem. Se acharem que eu fiz alguma irregularidade, me afastem”. Aí diante do meu posicionamento ficavam: “Mas... Mas... Mas...”. Aí o meu filho tava lá fora [da SEMPLA] e os vereadores, ao passar ao lado dele, diziam: “Pô, Maurinho! Teu pai parece que não está nem aí. Nem está esquentando...”. E  ele respondeu: “Rapaz, vocês não conhecem ele. Vocês não o conhecem. Vocês estão lidando com uma pessoa que trata a vida pública de uma maneira muito tranquila”. Então quero deixar bem claro: nenhum vereador nunca negociou nada comigo. Nenhum cargo foi negociado. Ao contrário, eu recebia muitos pedidos de impeachment. Quatro impeachments! E nenhum deles prosperou. Até porque não me impediram por me conhecerem. 

RD – Por que o senhor foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal durante a ‘Operação Murídeos’?

Dr. MN – Até hoje não sei qual o motivo. Não sei o motivo. Cheguei lá e qual foi a pauta principal? “Você deu o alvará do Heuro?”. O que é o Heuro? O Heuro é o Hospital do Estado de Urgência e Emergência. Respondi: “Eu não me recordo de ter liberado o Heuro”. E acusavam: “Mas você liberou!”. E de novo falei: “Não me recordo!”. E até hoje esse alvará não foi liberado, pelo menos até o final da nossa gestão. Não sei se de lá pra cá já apresentaram  todas as documentações definitivas, mas nunca mais soube nada disso. 

RD – Mas não tinha também algo a ver com a FUNCULTURAL e liberação irregular de recursos?

Dr. MN – A pauta principal era o alvará do Heuro.

Os períodos natalinos de Nazif

RD – Porto Velho também teve problemas com o Natal durante a sua administração, doutor. Por que foi tão difícil realizar um festejo bonito, de baixo custo e sem grandes escândalos ou más repercussões?

Dr. MN – Olha... Lembro quando nós fizemos um Natal aqui de pneus. Como eu apanhei, cara! [risos]  Meu Papai do Céu, como eu apanhei [intensifica o riso] Eu olhava aquilo e pensava: “Meu Deus do céu, a gente quer fazer algo, no meio de uma enchente, lidando com trinta mil desabrigados, desalojados, num momento de sofrimento para milhares de pessoas em nossa cidade é isso que acontece!”. Então fizemos de maneira simples, sem qualquer gasto para a cidade de Porto Velho. Aquele Natal não teve qualquer ônus, mas foi feito com muito carinho e, ao mesmo tempo, com muita critica. Não discuto critica: é um direito de todos. Mas eu posso falar que assumo com muito carinho. Aí fizemos outro Natal, um belíssimo Natal, pensando: “Porto Velho merece esse Natal”. E assim o fizemos. Foi apresentada a festa, Porto Velho parabenizou o evento, saudou, cumprimentou e tudo o mais. Houve shows, a Família Lima deu um belo espetáculo, o Natal aqui no Parque das Cidades foi muito bonito. E fomos nós que fizemos. E com a graça de Deus conseguimos entregar a Porto Velho. E aos que falaram “Ah, gastou muito. Ah, Gastou pouco”, posso dizer que conseguimos dar à cidade de Porto Velho o que Porto Velho queria. Conseguimos entregar. Em nenhum momento foi demonstrado qualquer superfaturamento. Nenhum momento! Vi alguns órgãos [da mídia] publicando alguma coisa sobre penalidades, mas não foram penalidades sobre o Natal. A penalidade foi no aspecto formal do processo, na montagem do papel, não em termos de valores. Então aquilo que publicaram, e eu até lamento como alguns órgãos, poucos, é claro, fizeram de maneira muito maldosa com as pessoas que mencionaram. Porque não tem nada daquilo, não teve desvio, não tem nada! E volto a frisar: o único problema apontado pelo Tribunal de Contas (TCE/RO) foi que, na montagem do processo, houve irregularidades, mas não em termos de valores. 

RD – E o Natal ‘em branco’ de 2016?

Dr. MN – Pois é... Aí me cobraram no final do ano: “Mauro, e o Natal?”. Eu falei: “Olha, o País vive uma crise econômica tão grande, tão grande, que hoje a prioridade nossa é deixar tudo saldado”. E conseguimos fazer. Até deixamos dinheiro em caixa para a atual gestão, como já mencionei. Então é a responsabilidade com o cargo que se ocupa. Eu gostaria que Porto Velho tivesse outro Natal, já havia tentado abrir o processo, iríamos oferecer, mas jamais esperaríamos passar por uma crise econômica tão grande como foi a do ano de 2016. Então foi mais uma grande crise que nós passamos e superamos. E posso falar que passei por três grandes crises: a primeira, quando assumimos aquela situação toda na prefeitura; a segunda, a grande enchente do Rio Madeira e a terceira, que é do País, somada à hídrica no Município de Porto Velho com queda importantíssima de receita. Então superamos tudo e entregamos o município em condições de administração.

RD – O cenário projetado para as eleições 2018 parece um dos mais acirrados de todos os tempos em Rondônia. O senhor, sempre muito bem votado para cargos no Legislativo, voltará a concorrer à Câmara Federal no ano que vem? Se sim, como será enfrentar essa nova safra de políticos do Estado?

Dr. MN – Desejo sucesso a todos que se candidatarem a deputado federal.  Vão à luta, batalhem. Enfim, toda disputa é uma disputa, independentemente de idade, jovem ou não. Quero só falar: sucesso para cada um que vier a disputar. 

RD – Mas o senhor tem ou não pretensões de voltar à Câmara Federal? 

Dr. MN –  [Risos] Rapaz, eu estou trabalhando como médico. Deixa eu trabalhar... 

RD – O senhor teria alguma opinião sobre a gestão que lhe sucedeu nesses quase quatro meses de novo mandato?

Dr. MN – Eu acho que é muito cedo para nós falarmos de uma gestão. Acho até injusto você querer tecer algum comentário e, quando se tece, geralmente  não é de forma tão positiva. O prefeito que assume, assim como outros, ainda não conhece a ‘casa’, a máquina administrativa e no mínimo devem ser concedidos seis meses de tolerância. É assim que eu penso. 

RD – Recentemente, Dalton di Franco, vice-prefeito em sua gestão, concedeu entrevista à rede de televisão falando sobre a administração Nazif. Foi questionado em determinado momento sobre o porquê de praticamente nunca ter sido encontrado no gabinete durante os quatro anos de mandato. Ele respondeu: “Eu não podia contrariar ‘o homem’”. Qual motivo o senhor teria para não deixar o vice-prefeito trabalhar em seu próprio gabinete?

Dr. MN – Eu não sei. Nunca me fechei. Nunca me furtei de conversar com ninguém, mas respeito a opinião de todos. 

Gilson, o verdadeiro prefeito?

RD – Muitas pessoas apontavam o seu irmão Gilson Nazif, que ocupou a pasta de Obras em sua gestão durante muito tempo, como o verdadeiro Prefeito de Porto Velho. O que causava essa impressão à parte da população, Dr. Mauro?

Dr. MN – Talvez por ele ter ficado à frente de uma secretaria  muito importante para os bairros, que era a Secretaria de Obras. Mas o Gilson sempre se postou como secretário. Ele nunca foi além de secretário de Obras. Então... Sempre falam do Gilson. Em tudo se tenta colocar “Gilson pra cá. Gilson pra lá”. Quando era vereador falavam dele; quando fui deputado estadual a mesma coisa e federal idem. Sempre tentam falar. Mas quero deixar claro que o Gilson, como os demais secretários, foi apenas secretário de sua pasta, somente.



RD – O senhor moveu ações com pedidos de indenização por dano moral contra um colunista, um chargista e um veículo de comunicação. Por que essa iniciativa, doutor?

Dr. MN – Talvez seja porque tenham ido para o lado pessoal. Eu não sou nem de mexer com ninguém. Mas pode ser porque talvez, porque essa parte fica mais com meu [departamento] Jurídico, mas talvez porque tenham trabalhado de maneira pejorativa o lado pessoal. E isso são coisas que você tem de respeitar em qualquer ser humano. Então, se houve essas ações, tem seu motivo. 

RD – Como está a vida pós-mandato e o que a população ainda pode esperar do senhor como homem público? 

Dr. MN – Eu voltei a trabalhar na clínica do DETRAN. Estou de licença-prêmio do Hospital de Base, mas trabalhando, fazendo visitas. E como homem público, mesmo a gente fora da vida pública, vamos dizer assim, de maneira presencial, estamos sempre trabalhando. As pessoas sempre aparecem para conversar conosco. Mas o meu objetivo, quero deixar claro, é ajudar. Se eu puder ajudar, ajudo. Se eu não puder, falo: “Olha, dá licença. Eu estou fora”. Porque a gente precisa de pessoas que façam somar. Eu sei o que tentaram fazer para me diminuir. Então a gente precisa de pessoas para tentar somar. O recado que deixo para a gestão, para o prefeito e seus secretários, assim como para a população, é que nós temos de nos unir em torno de uma Porto Velho melhor. 

RD – Obrigado, Dr. Mauro. 

Dr. MN – Disponha!   



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Autor / Fonte: RondoniaDinamica.com

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