Publicada em 11/01/2017 - 14.07   /  Autor:  Professor Nazareno
Opinião - Minhas depressões por: Professor Nazareno

Não há nada mais depressivo e tosco do que observar o rio Madeira, o maior rio morto do mundo. Com sua nascente agora a partir da hidrelétrica


    Eu não tenho depressão. Na verdade nunca tive. Sofro apenas de momentos depressivos, como muitas pessoas que conheço. E são muitos esses instantes que já vivi na minha vida. Brasileiro, nordestino e paraibano sou mais um sobrevivente da seca que sempre assolou aquela distante região. Só isso já seria motivo suficiente para viver eternamente deprimido. Mas a situação consegue ser bem pior: moro há quase quarenta anos em Rondônia. Na verdade em Porto Velho, a capital da sujeira e da fedentina. Haja antidepressivos e ansiolíticos nas receitas médicas. Ser brasileiro num Brasil que nunca foi sério tira a saúde de qualquer um. Como país, o Brasil sempre foi uma espelunca que nunca deu exemplo a ninguém muito menos serviu para nada. E hoje ser governado por um golpista assessorado por gente corrupta, torna a situação ainda mais catastrófica. 


    Não há nada mais depressivo e tosco do que observar o rio Madeira, o maior rio morto do mundo. Com sua nascente agora a partir da hidrelétrica do Santo Antônio, o “rio das Madeiras” não tem mais madeira boiando em suas turvas e selvagens águas. O seu feio e horroroso pôr do sol perdeu o encanto e o brilho diante da agressão que lhe permitiram em troca de nada. E olhar para a cidade que acabou de ser administrada por um Mauro Nazif? E a agonia de esperar por uma eficiência que nunca chega do Hildon Chaves? Há momentos que pensamos em desistir de tudo e por isso queremos a todo o momento voltar para Curitiba ou para Gramado na Serra Gaúcha. Não existe nada mais depressivo do que passar 20 dias na Europa visitando Geneve, Munique ou Paris e de repente estar ali na Jatuarana ao lado de pessoas grossas e sentindo o cheiro de merda.


    Andar de coletivo em Porto Velho não é só antidepressivo, como também uma espécie de estágio para experiências bem piores. Mas há muitas outras coisas bem mais estarrecedoras para se visitar nesta cidade sem eira nem beira. Outro dia, por exemplo, fui ao Hospital João Paulo Segundo visitar um parente meu internado lá. Foi o equivalente a ter ido umas três ou quatro vezes ao inferno numa única tarde. Só não vi o Satanás, mas tenho certeza de que aquilo não é um lugar que cuida de seres humanos. Se for, pelo que presenciei, na morada do Belzebu é muito melhor. Aquilo ali é um verdadeiro campo de extermínio de pobres. Recentemente o governador de Rondônia disse em seu blog, claro, que “o SUS é maravilhoso em sua essência”. Quem não acreditaria nestas “sábias palavras” vindas de quem conhece a fundo aquela realidade?


    Diante disso, só não fica deprimido que não tem sentimentos. Eu me deprimo ao ver que a situação no Brasil só piorou com o novo governo e que as panelas se calaram covardemente. E quando passa o momento depressivo, eis que vejo pessoas incautas dizendo que o Estado tem que agir conforme agem os bandidos rebelados. Segundo esses ignorantes, o Estado tem que também matar, estuprar, extorquir, violentar, mentir, sequestrar, corromper e semear o medo e o terror. Fico deprimido também quando percebo que a Operação Lava Jato não pega tucanos mesmo sabendo da culpa deles. E saber que o Lula só será preso para que não vença as eleições em 2018? É mole? E como não se deprimir ao saber que o ex-prefeito Mauro Nazif não fez o Natal em Porto Velho, mas disse que deixou pelo menos 20 milhões de reais em caixa? Ah! Vou ligar a televisão e assistir ao Jornal Nacional. Esqueci: aqui é tudo gravado na TV. Meu Deus!


*É Professor em Porto Velho.

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