Na eleição de “Os Trapalhões”, o Sargento Pincel quer ser protagonista

Na eleição de “Os Trapalhões”, o Sargento Pincel quer ser protagonista

Porto Velho, RO – O racha interno e a subsequente reconciliação deflagrada menos de 24h após o PSL implodir no Estado de Rondônia é retrato fiel de uma comédia pastelão atrelada ao segundo turno das eleições por estas bandas.

O enredo não deve em nada às bobajadas que costumávamos assistir à época de “Os Trapalhões” na Rede Globo; a diferença pragmática entre o programa liderado por Renato Aragão e a patacoada comandada por Marcos Rocha e sua trupe é que, no segundo caso, choramos por dentro em vez de gargalhar.

De fato, o cenário é tragicômico e angustiante.

O termo “fake news”, por exemplo, tornou-se salvo-conduto à ignorância.

Basta dizer que foi tapeado por informações supostamente falsas  proliferadas na Internet e, voilà, o ínscio torna-se vítima e passa a conspurcar terceiros, incluindo aí, claro, a imprensa.

Explico.

Quando o empresário do Cone Sul Jaime Bagattoli, candidato ao Senado derrotado, mas muito bem votado, resolveu rebelar-se, não estava ilhado, sozinho ou desprovido de conexões que poderiam respaldá-lo com informações a fim de “não incorrer em erro”, como alegou após abraçar aos prantos o seu correligionário.

Antes da reconciliação, mesmo assim, montou toda uma estrutura – inclusive audiovisual – pontuando detalhadamente os motivos que o levaram a defenestrar a imagem do militar, entre eles o mais significativo de todos: um eventual reordenamento da campanha liderado agora por membros do alto escalão emedebista.

Assim, Bagattoli apresentou pedagogicamente de forma minuciosa uma espécie de seminário para comprovar a ligação de Rocha com grupos capitaneados pelo ex-governador Confúcio Moura e o ainda senador Valdir Raupp, e, como não poderia deixar de ser, foi recepcionado por uma saraivada de críticas patrocinadas por bolsonaristas, especialmente os mais temperamentais.

Com isso, o liberal considerado por este mesmo site uma nova expressão política demonstrou três coisas.

RELEMBRE
Opinião – Eles não levaram, mas...

Em primeiro lugar, que se informa exclusivamente através das redes sociais e, a partir delas, toma decisões precipitadas de acordo com o calor do momento sem raciocinar ou calcular eventuais danos que possam advir de sua postura; em segundo, que não é capaz de se firmar às próprias convicções nem sustentar propósitos ourindos de sua criação, ainda que os mais genuínos, principalmente se contrastarem com os anseios da onda que o levou a ultrapassar a marca dos 200 mil votos: logo, cadê a personalidade?

E por fim, a sordidez típica da covardia que relega culpa a quem quer que seja, menos a si.

Portanto, corrigindo a nossa opinião anterior no caso específico, nasceu um cidadão que, em simbiose com ecos de Bolsonaro – assim como seu candidato ao Governo de Rondônia – pode ser considerado em determinada época, sim, um franco campeão de votos; entretanto, por conta de todo o exposto, retificamos o termo “liderança política”, que é próprio dos que têm pulso firme tanto nos contextos favoráveis quanto em conjunturas negativas.

Haja bazófia nas fileiras, Soldado 49!


Sargento Pincel, esse sim é engraçado! 

Calma lá, do Carmo!

Você conhece Edward Guilherme Nunes da Silva? Não, né? E Roberto Guilherme?

 Ah, pena, também não, então?

Poxa vida...

Tudo bem. Mas com certeza absoluta o nome Sargento Pincel lhe vem à cabeça, não é mesmo?

Agora sim. Bem... esses três nomes representam a mesma pessoa. Roberto Guilherme é o artístico do batizado Edward Guilherme Nunes da Silva que, por sua vez, viveu por praticamente quatro décadas o famoso e eterno coadjuvante Sargento Pincel.

Nesses trinta e poucos anos cotracenando com Didi, Dedé Santana, Muçum e Zacarias, a vida de Pincel era tentar impor respeito aos seus comandados através de imperativos vocais extremamente agudos gesticulando de forma tão histérica quanto, paralelamente.

A coisa passava a ser engraçada, obviamente, quando a tropa fazia troça do ascendente hierárquico geralmente o lançando a situações vexatórias, deixando-o em maus lençóis tamanha a insubordinação do grupelho.

Aqui nós temos um personagem semelhante, porém real. Eyder Brasil do Carmo, integrante das Forças Armadas, foi eleito deputado estadual no último dia 07. Ele assumirá uma das 24 cadeiras na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE/RO)  a partir do ano que vem.

Do Carmo disse, dia desses, que jornalistas são bandidos, safados e estariam, ainda de acordo com o excelentíssimo, tramando às penumbras para alcançar as rédeas da Secretaria de Comunicação (Secom/RO), órgão do Estado.

Assim como a declaração de Marcos Rocha em Cerejeiras, quando o coronel confessou ter recebido proposta de propina elevada em até R$ 1 milhão sem dar voz de prisão nem denunciar o interlocutor da intenção indecorosa, mesmo sendo sua obrigação legal de ofício, do Carmo agiu da mesmíssima forma ao resolver voltar suas baterias contra jornalistas, de forma genérica, sem apontar nomes e comprovar as condutas aventadas pelo seu discurso.

E AINDA
Precisa se explicar – Coronel Marcos Rocha conta sobre propostas de propina e pode, sem querer, ter confessado um crime

Depois se virar manchete, do Carmo admoestou o site jornalístico responsável pela matéria alegando que, ao contrário das informações publicadas, “Não generalizei a classe dos jornalistas, inclusive tenho vários amigos que são profissionais de alto nível”.

Destacou, ainda, que se referiu à “’IMPRENSA MARROM’ [grifo dele], essa que presta um desserviço à sociedade, muitas vezes com interesses particulares”.

De novo sem apontar quaisquer nomes, condutas ou razões sociais envolvidas na hipotética trama ardilosa em busca de espaço institucional em célula governista.

Embasamento zero.

Depois, municiado pela veia castrense que o rege, naturalmente, solicitou com pompas de autoridade ao veículo de comunicação que expôs sua live:

“Se for pra usar meu nome eleitoral, use o correto, Deputado Estadual Eleito SARGENTO EYDER BRASIL”.

Alto lá, do Carmo!

Lá na caserna o senhor faça valer, como achar conveniente, as credenciais que lhe aprouverem; aqui, no mundo civil, onde primordialmente devem imperar os reflexos de sua futura atuação parlamentar, ainda vigoram os princípios da liberdade de expressão e de imprensa.

Ainda.

Com esse saco vazio de arcabouço probatório em falácias propaladas a esmo, é mais fácil Pincel deixar de ser piada e ser levado a sério enquanto o sargento eleito aqui em Rondônia busca o protagonismo através da polêmica.

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Autor / Fonte: Vinicius Canova

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