Publicada em 07/01/2017 - 10h00min   /  Autor:  Rondoniadinamica
Editorial – Eclosão de chacinas em presídios expõe ineficiência de autoridades

Não há momento mais oportuno, apesar de triste e decepcionante, para rediscutir a Segurança Pública e suas vertentes; sempre que há uma matança, lideranças políticas desandam a proferir discursos inócuos e mesmo especialistas no setor perdem a mão na hora da explicação



Porto Velho, RO –
Não precisa ser especialista em Segurança Pública para compreender que há situações catastróficas tanto no sistema carcerário brasileiro quanto na proliferação da influência e liderança de facções criminosas fora deles. Essa influência, aterradora e incessante, bate de frente com toda ordem de autoridade e também coloca contra a parede as concepções apresentadas por especialistas no setor sempre que ocorre uma dessas matanças como as desencadeadas no Norte do País.

Se o cidadão não consegue conceber como é possível que uma estrutura construída para abrigar criminosos – que em teoria deveria privá-los de todo e qualquer contato com o além-muro – é diariamente violada como quando, por exemplo, inúmeros aparelhos celulares chegam às mãos dos delinquentes, quiçá entender a logística tão bem executada do crime organizado e seu sucesso ainda que em cárcere reforçado.

Quando uma chacina eclode é assim: televisões e outros órgãos da imprensa buscam respostas. Geralmente, trazem à tona manifestações de figuras que passaram toda uma vida acadêmica destrinchando o assunto ponto a ponto. Esses sujeitos expõem bases teóricas que poderiam ser aplicadas efetivamente, caso o Brasil fosse um país sério e, melhor ainda, que levasse as coisas a sério.

O povo, cansado de presenciar casos de estupro, assassinatos, roubos e tantos outros crimes bárbaros, comemora quando, num contexto coletivo de gente espúria, cabeças começam a rolar e o sangue a jorrar a ponto de cobrir boa parte do solo das unidades prisionais quando uma rebelião entra em ebulição.

Não é preciso ir longe para acessar os vídeos gravados pelos próprios presidiários rebelados: são cenas deploráveis do pior que o ser humano tem a oferecer em termos de humanidade. Mesmo que os alvos tenham sido outros sentenciados, enxergar tudo isso com olhares de normalidade e tentar respaldar a situação sob viés maniqueísta é tapar o sol com a peneira. Presídios são as verdadeiras faculdades do crime: quem entrou furtador de galinha dificilmente não sairá com diploma de ladrão de automóveis, receptador, muambeiro e membro de quadrilha.

Aqui, em terras tupiniquins, a ressocialização é utópica, conversa para boi dormir. Por isso pessoas que se dizem de bem passam a exaltar a sangria desenfreada nessas situações.

O Estado, inoperante e incompetente, se vê obrigado a passar pelo vexame da exposição década após década. Os motins são cada vez piores; a violência, muito mais extrema. O que não muda é a passividade das autoridades diante do quadro amedrontador vivenciado pela sociedade.

Agora, com esses membros de facções criminosas agindo sem freio, sem medo de nada, famílias inteiras estão expostas aos riscos de fugas e tantas outras crueldades que ainda podem ser perpetradas mesmo de dentro dos complexos carcerários.

A Polícia Militar em Rondônia já intensificou o patrulhamento em imediações de presídios de Porto Velho. Após o assassínio em Manaus e Boa Vista, com mais de 90 mortos em pouquíssimos dias de intervalo, homens da Companhia de Operações Especiais (COE) estão prontos para qualquer intervenção.

Na quarta-feira, o secretário de Segurança do Amazonas, Sérgio Fontes disse que Rondônia e Roraima também têm facções rivais da Família do Norte (FDN) e PCC. Dois dias depois foram registradas mais de 30 mortes em Boa Vista.

Antes mesmo da segunda chacina, o setor de Segurança em Rondônia já estava em alerta em razão da possibilidade de fuga de presidiários de Manaus para Porto Velho.

Agora, a batata quente está nas mãos do governador Confúcio Moura (PMDB) que, dependendo das ações, pode evitar ou não uma nova chacina como a ocorrida no Urso Branco em 2002. 

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