Editorial – A MENP está sempre de portas abertas para dizer não

Editorial – A MENP está sempre de portas abertas para dizer não

MENP: mais um engodo burocrático criado pelo Governo do Estado

Porto Velho, RO – No plano da fantasia instalado no Planeta Confúcio Moura, definitivamente longínquo levando em conta o posicionamento deste parco sistema solar onde as coisas reais acontecem, existe a Mesa Estadual de Negociação Permanente (MENP) – teoricamente palpável, mas fictícia na prática.

Criada com as mais nobres das motivações em fachada estendida e portas escancaradas ao diálogo, pelo menos é assim que se anuncia, a MENP está sempre pronta – definitivamente – para dizer não.

Um verdadeiro organismo burocrático legalmente institucionalizado e composto por autoridades do Estado de Rondônia sob pretexto de receber entidades sindicais e suas respectivas pautas de reivindicação, analisá-las, apresentar alternativas, negar contrapropostas e... e é isso aí.

Acabou.

Os mais desavisados podem até se surpreender com os resultados infrutíferos expostos ante as inúmeras tentativas de conciliação no caso da greve dos professores, por exemplo. Mas só se deixa enganar quem quer.


Confúcio já deu sua opinião sobre os servidores públicos

O governador Confúcio Moura, do MDB, embora não seja muito de falar sobre assuntos sérios ou prestar esclarecimentos à sociedade em relação a problemas de gestão, não esconde o seu profundo desgosto pelos servidores públicos concursados.

Em agosto de 2017, o chefe do Executivo publicou uma opinião contundente no seu blog particular dizendo, entre outras coisas, que o Brasil precisa “Parar com concursos públicos. Terceirizar serviços meios. Acabar com estabilidade no emprego público”.

RELEMBRE
Confúcio ‘chuta o balde’ e diz que Brasil precisa parar com concursos e acabar com estabilidade no serviço público

Por isso, que se danem os professores! Fazer o quê?

Ah, claro, há também as justificativas – todas essencialmente maravilhosas e objetivas. A mídia nacional pinta Rondônia como uma das melhores unidades da federação em termos de Administração Pública e o estafe palaciano se agarra aos números que não se encarnam em lugar algum para respaldar tal ascensão propalada em larga escala.


Aumento para secretários passou "voando" pelo Legislativo

Além disso, existe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) usada à exaustão pelo governo a fim de justificar o inexplicável.

É interessante observar, só para se ter ideia, que a LRF não impediu Ezequiel Neiva, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/RO), de pagar, ilegalmente e às escuras, R$ 30 milhões do suado dinheiro do trabalhador rondoniense à uma empreiteira por obra já quitada, concluída e entregue há anos em Ji-Paraná.  


Justificativa para aumentar salários dos secretários:  eles poderiam se desinteressar
pelo cargo com os "míseros" R$ 18 mil

Imprescindível relembrar que a Justiça já interviu e mandou bloquear não só os pagamentos de origem supostamente ilícita, mas também os bens de Neiva e dos demais envolvidos no episódio do escândalo da ponte de Ji-Paraná.

E AINDA
Justiça bloqueia R$ 18,5 milhões de Ezequiel Neiva e demais réus do escândalo da ponte

Porém, é preciso corrigir algumas injustiças praticadas também contra o lado contrário. O secretário-chefe da Casa Civil Emerson Castro, considerado o homem forte de Confúcio Moura, jamais disse que os professores deveriam trabalhar por amor, não por salário. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero) caiu na esparrela de fazer jogo sujo ao espalhar uma assertiva que jamais existiu.

Castro poderia ser confrontado com a realidade, simplesmente. A entidade deixou de levar em conta a mudança voluptuosa no contracheque do secretário de novembro a dezembro de 2017 – um único mês.


Vencimento de Castro em novembro/2017

Quando o governo sancionou a lei aumentando o salário dos secretários de Estado em 35%, com total subserviência Legislativa, diga-se de passagem, os rendimentos de Emerson Castro – e de todos os outros secretários – saltaram de R$ 18.680,00 para generosos R$ 25.322,25. Um aumento de R$ 6.642,25. Só um parlamentar foi contra, o mesmo de sempre, mas restou vencido.

No mesmo mês de novembro do ano passado, um professor (Classe C) recebeu R$ 2.262,62 em vencimentos. E em dezembro? A mesma coisa.


Vencimento do secretário no mês seguinte após o aumento de 35%

Não mudou nada. Isso quer dizer que só o aumento concedido ao mandatário da Casa Civil e outros secretários ultrapassou o vencimento de um professor em R$ 4.379,63. Lembre-se: só o aumento!

Neste caso, claro, não houve conversas com a MENP – assim como não existiu diálogo no escândalo da ponte envolvendo Ezequiel Neiva. O governo manda, a Assembleia abaixa a cabeça e a vida segue boa para todo homem público transitório enquanto o servidor efetivo é humilhado, reiteradamente maltratado, desvalorizado e jogado às traças. Bem, é ano de eleição e o cidadão saberá dizer na hora certa quem é digno ou não de sua escolha. Entendam de uma vez por todas, caros docentes: o que funciona para alguns poucos privilegiados não vale para outros tantos desapadrinhados.

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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