Publicada em 22/07/2014 - 16h01min   /  Autor:  Rondoniadinamica
Comerciantes dizem que Vigilância Sanitária é incompetente e faz abordagens truculentas

O repórter Pedro Silva conversou com alguns donos de estabelecimentos em Porto Velho. A maioria reclamou da forma como o trabalho é feito



Porto Velho, RO –
O repórter Pedro Silva, do jornal eletrônico Rondônia Dinâmica, entrevistou alguns empresários, donos de estabelecimentos sujeitos a inspeções surpresas da Vigilância Sanitária, como restaurantes, bares, supermercados e afins.

A maioria reclamou da forma como as abordagens são feitas. Alegaram truculência por parte dos fiscais e disseram, ainda, que muitos desses profissionais são incompetentes e não estão aptos a exercer este tipo de função.

Algumas pessoas ouvidas não quiseram se identificar com medo de represálias.

Um dono de supermercado, por exemplo, vociferou:

– Eles são despreparados. Não tem foco no serviço. Já fui notificado pelo órgão por exageros. Fizeram muitas exigências, coisas desnecessárias até. Se nós os tratamos com educação, acham que estamos com medo e a intensidade das imposições aumenta. O pior de tudo é que eles dizem um monte de coisas, mas não nos orientam. É um serviço feito nas ‘coxas’ – avaliou.

Diferentemente do dono de supermercado, Maria Gomes da Silva, de 53 anos, resolveu falar abertamente sobre o assunto:

– Recebi duas notificações. Quando eles vêem fazem muitas exigências. Às vezes não são possíveis de cumprir. Coisas desnecessárias. São muito burocráticos – ressaltou.

Luana Alves de Almeida (25), gerente de um restaurante localizado no centro de Porto Velho, disse que a última abordagem da Vigilância Sanitária aconteceu há mais de trinta dias.

– Eles praticamente não aparecem. E quando vieram, pediram para arrumar algumas coisas e nos deram um bom prazo para fazer tudo. Eu acho muito bom o trabalho deles – revelou.



Deveria, mas não é

De acordo com o diretor da Vigilância Sanitária Walmir Ferreira pelo menos cinco mil estabelecimentos que trabalham manuseando alimentos deveriam ser fiscalizados rotineiramente, o que não ocorre.

Lanchonetes, restaurantes, supermercados, frigoríficos, açougues e outros estabelecimentos podem estar funcionando de
maneira irregular, vendo, inclusive, produtos nocivos à saúde.

– Essas visitas ocorrem de acordo com os processos dos alvarás de funcionamento. Elas ocorrem sempre que há alguma denúncia de irregularidade. Contamos apenas com vinte e dois profissionais que laboram durante a manhã e que realizam esses procedimentos de averiguação. São cerca de trinta notificações feitas por dia – salientou Ferreira.

Ainda de acordo com o diretor da Vigilância Sanitária, as situações mais comuns de irregularidades encontradas pelos agentes nesses tipos de empreendimento são: produtos vencidos, documentação irregular, falta de higiene, fossas estouradas, água servida nas ruas, banheiros fora do padrão e a ausência do EPI, Equipamento de Proteção Individual, imprescindível para o trabalhador que exerce suas funções em locais de risco.

– Analisamos se o local atende as normais da Vigilância Sanitária. Às vezes ocorrem duas ou três visitas no mesmo estabelecimento. Na segunda vez incorrendo nas mesmas irregularidades, o comerciante é autuado – contou.

Caso de amor e ódio

Walmir também revelou uma história de intervenção por parte da Vigilância Sanitária que acabou apaziguando os ânimos entre vizinhos:

– Há uns dois anos mais ou menos recebemos denúncia de uma senhora moradora do bairro Escola de Polícia. Ela reclamou do vizinho que tinha uma fossa vazando para o seu quintal, causando inúmeros problemas. Os agentes foram ao local, mas o rapaz estava irredutível. Não queria saber de arrumar nada. O clima ficou tenso e, de repente, a senhora foi aos prantos. O rapaz foi notificado e teve um prazo para resolver a situação. O engraçado é que quinze dias depois, quando retornamos à localidade, os dois eram amigos. Foi como se nada tivesse acontecido.

Feiras em Porto Velho

– As feiras na capital não são regularizadas. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Socioeconômico e Turismo ficou de regularizar a situação dos permissionários, ou seja, os feirantes, os cadastrando para serem reconhecidos pela pasta de Serviços Básicos, o que não ocorreu – disse.

O diretor mencionou ainda que há desinteresse entre as partes.

– A Secretaria de Serviços Básicos não fornece estrutura. É preciso montar um local adequado para atender a todos os feirantes que sofrem sem um lugar próprio para trabalhar. As feiras são montadas nas ruas, prejudicando inclusive os pedestres e até mesmo moradores que nas regiões. Há gente que não consegue sair nem de casa com seus veículos nos horários das feiras. É uma situação tão grave que fere até a Constituição Federal. É preciso rever isso. A Vigilância só vai até as feiras quando há alguma denúncia – asseverou.

Sobre as críticas do empresariado, Ferreira foi direto:

– Os comerciantes não vêem a Vigilância Sanitária com bons olhos. É assim mesmo – finalizou.

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