A tucanada quer sair do governo Temer para se afastar do epicentro da corrupção

A tucanada quer sair do governo Temer para se afastar do epicentro da corrupção

RESENHA POLÍTICA

ROBSON OLIVEIRA


VIOLÊNCIA – A capital rondoniense está cada vez mais violenta com a banalização dos crimes contra o patrimônio e incolumidade pessoal. No último sábado o amigo Hiran Gallo foi mais uma vítima desta escalada da violência que, é bom que se diga, é global. Quem assistiu ao vídeo dos meliantes espancando Gallo – embora tenha erradamente encarado os bandidos – percebe a ousadia com que praticam crimes à luz do dia sem temer nada. A violência se tornou em geral um dos maiores problemas para os governos, em particular para o cidadão desprotegido.

PORTE – Toda vez que os índices de violência sobem setores da população passam a defender a liberação do porte de arma como meio para as pessoas se defenderem da bandidagem. É uma visão equivocada tentar armar os cidadãos para que façam aquilo que é obrigação dos governos. Ademais, a liberação do porte de armas comprovadamente aumenta os índices de óbitos, já que a reação ao criminoso invariavelmente termina com a morte da vítima da violência.

CASSAÇÃO – Minutos antes de começar o histórico julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa presidencial Dilma-Temer, feito pelo PSDB hoje principal  fiador do governo, ninguém apostava o placar final. No entanto, o material probatório colhido pelo relator do processo, Ministro Herman Benjamin, é robusto e, analisado ao pé da lei, a cassação é inescapável. Na hipótese de fatiar as condutas para supostamente salvar Temer o TSE vira alvo de críticas acerbas, apesar de que, em se tratando de uma corte superior, a pressão popular deveria ser encarada como algo natural sem que esta influencie o veredito.

PLACAR – Embora seja difícil afirmar peremptoriamente qual placar vai ser o julgamento, advogados do presidente Michel Temer esperam cinco votos a dois em favor da tese que salva o presidente. Observadores políticos diziam o contrário, porém pelo mesmo placar.

CHATEAÇÃO – Pelos áudios captados pelos delatores da JBS e amplamente divulgados nos meios de comunicação, o tucano Aécio Neves revela que o PSDB ingressou na justiça eleitoral contra a chapa de Dilma-Temer sem muitas pretensões da cassação. Segundo o senador Tucano, a ação tinha como principal finalidade encher o saco dos petistas, mas tomou desdobramentos que ninguém mensurou os resultados e pode atingir inexoravelmente o aliado Michel Temer, visto que Dilma Rousseff perdeu o cargo pelo impeachment.

FICHA SUJA – É quase certo que os ministros do TSE decidam agravar a situação política da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ampliando as penalidades, além da perda da função pública, com a inabilitação política por oito anos. No julgamento do impeachment os senadores pouparam a ex-presidente da lei da ficha suja, embora a legislação utilizada no caso concreto apontasse em sentido contrário. No TSE é pule de dez que a ex-presidente vire ficha suja.

PARALISIA – Apesar dos esforços para que o Congresso Nacional mantenha o funcionamento dentro de uma suposta normalidade com comissões em funcionamento e pautas de votações nos plenários das duas casas, a verdade é que a crise paralisou a política e tem confinado os políticos.

CERCO – Desde se juntou aos insurretos do Congresso Nacional para apear do poder Dilma Rousseff, cassada por fatos ainda controversos e por tratar as partes anatômicas traseiras dos parlamentares a botinadas, o presidente Michel Temer não tem sossego depois que vieram à tona os supostos malfeitos de assessores e dele próprio. Dos seis homens do núcleo duro do presidente (Eliseu Padilha, Moreira Franco, Henrique Alves, Geddel Vieira, Sandro Mabel e Rocha Loures) quatro já caíram por envolvimento com a Lava Jato, os dois outros sobreviventes se seguram nos cargos, mas de forma trôpega. A cada dia o cerco se fecha e a situação do presidente fica pior, mesmo se safando no TSE.

BANCADA – Num país em que a população clama por justiça e setores da sociedade alegam que somos um país da impunidade, na verdade a população carcerária oriunda das castas políticas, até então inatingível, tem aumentado consideravelmente. Não há uma semana em que um parlamentar não seja manchete nas matérias política/criminal. Não raro, algum deles é recambiado ao xilindró. A bancada parlamentar nas unidades prisionais, país afora, é expressiva e desfaz a ideia de impunidade das castas dirigentes.

REVOADA – Historicamente considerado um partido que adora subir ao muro a decidir o lado que fique em terra firme, os tucanos estão envolvidos em outro dilema entre os que querem desembarcar do governo Temer e os que querem permanecer nos cargos que foram agraciados após o impeachment. A tucanada paulista, mais pomposa e mais encalacrada com as delações, quer sair imediatamente como forma de se afastar do epicentro da corrupção. Embora as penas estejam chamuscadas.

EFEITO ORLOFF – Desde que foram fisgados nos áudios dos delatores, tucanos mais graduados enveredaram para o mesmo discurso dos desafetos petistas de que são vítimas de uma conspiração da mídia. Um discurso que outrora era combatido duramente pelos sociais-democratas e que virou agora a tábua para justificação. É o que chamamos o efeito orloff. 

TRÂNSITO – A prefeitura de Porto Velho  precisa urgentemente instalar um sistema inteligente de sincronização dos sinais de trânsito, com um  plano para os horários de pico da manhã e da tarde. Na avenida Calama, por exemplo, no sentido bairro-centro, instala-se ocaos do cruzamento com a avenida Rio Madeira até o cruzamento com a Salgado Filho. Além de um engarrafamento descabido, inúmeros acidentes acontecem quando os moradores do bairro Embratel tentam entrar na avenida. É preciso que os sinais fiquem abertos nesses cruzamentos por um tempo bem maior para quem trafega pela Calama, e é preciso também colocar um sinal para que os moradores do bairro possam acessar a via. O trânsito tem sido um problema para os alcaides de plantão, a atual gestão melhorou, contudo, precisa melhorar muito mais. O responsável pela área precisa entender que nossos problemas não têm necessariamente as mesmas soluções de São Paulo. E precisa ser menos teimoso e mais flexível. O contribuinte agradece. 

Autor / Fonte: Robson Oliveira

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